Em mais um dia de eleições, assembleia define líderes da Associação Geral e divisões

A assembleia mundial da igreja nomeou nesta segunda-feira, 6 de julho, os líderes que atuarão como vice-presidentes da Associação Geral. Uma das mudanças mais significativas foi a redução do número de líderes para a função. Em vez de 9, agora serão apenas 6 vice-presidentes, seguindo o modelo que era adotado pela igreja até 1990. O que justifica a mudança, segundo explicou o pastor Ted Wilson, é ao fato de que algumas instituições não mais estarão sob supervisão da Associação Geral. No quadro de diretores de departamentos houve poucas alterações. Dos 12 departamentais votados até agora, apenas dois são novos na função: Ganoune Diop, que substitui John Graz, e Duane Mckey, que substitui Jonathan Kuntaraff.

Além dos nomes votados para essas funções, o plenário da assembleia também nomeou um brasileiro e um chileno para a equipe da Associação Geral: Gerson Santos, como secretário associado, e Magdiel Perez, atual secretário da Divisão Sul-Americana, que exercerá a função de assessor especial do presidente da Associação Geral.

A agenda do dia contemplou ainda a definição dos presidentes das 13 divisões. Seis deles permanecem no cargo. Entre os reeleitos está o presidente da Divisão Sul-Americana, pastor Erton Köhler (confira aqui a entrevista concedida à Revista Adventista após a reeleição).

Confira abaixo a relação dos líderes eleitos nesta segunda-feira:

Vice-presidentes da Associação Geral

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Número de vice-presidentes caiu de 9 para 6. Mudança se deve ao fato de que algumas instituições não mais estarão vinculadas à Associação Geral. Foto: Adventist Review

Artur Stele (reeleito)

Abner De Los Santos

Ella Simmons (reeleita)

Geoffrey Gabriel Mbwana (reeleito)

Guillermo Biaggi

Thomas Lemon

Diretores de departamentos da Associação Geral

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Até agora foram eleitos 12 dos 15 diretores de departamentos. Foto: Adventist Review

Ministério de Capelania – Mario Ceballos (reeleito)

Ministério da Criança – Linda Mei Lin Koh (reeleita)

Comunicação – Williams Costa Jr. (reeleito)

Educação – Lisa Beardsley-Hardy (reeleita)

Ministério da Família – Willie Oliver (diretor) e Elaine Oliver (diretora associada) – reeleitos

Ministério da Saúde – Peter Landless (reeleito)

Associação Ministerial – Jerry Page (secretário) e Janet Page (secretária associada) – reeleitos

Relações Públicas e Liberdade Religiosa – Ganoune Diop (substitui John Graz)

Ministério Pessoal – Duane Mckey (substitui Jonathan Kuntaraff)

Ministério da Mulher – Heather-Dawn Small (reeleita)

Ministério Jovem – Gilbert Cangy (reeleito)

Auditoria – Paul Douglas (reeleito)

 

Presidentes das divisões

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Dos 13 presidentes de divisões, 6 foram reeleitos. O pastor Erton Köhler foi um deles. Foto: Adventist Review

Divisão Centro-Leste Africana – Blasious Ruguri (reeleito)

Divisão Euro-Asiática – Michael Kaminski

Divisão Interamericana – Israel Leito (reeleito)

Divisão Norte-Americana – Daniel Jackson (reeleito)

Divisão do Pacífico Norte-Asiático – Jairyong Lee (reeleito)

Divisão Sul-Americana – Erton Kohler (reeleito)

Divisão do Sul do Pacífico – Glenn Townend

Divisão Sul-Africana Oceano Índico – Paul Ratsara (reeleito)

Divisão do Pacífico Sul-Asiático – Leonardo Asoy

Divisão Intereuropeia – Mario Brito

Divisão Centro-Oeste Africana – Elie Weick-Dido

Divisão Sul-Asiática – Ezras Lakra

Divisão Transeuropeia – Raafat Kamal (reeleito)


CONFIRA O QUADRO GERAL DE ELEIÇÕES DA ASSEMBLEIA

Em busca de consenso

Os dilemas da igreja de hoje são menores do que os enfrentados pelos primeiros cristãos e adventistas

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Foto: Josef Kissinger

No próximo dia 11 de julho, os adventistas celebrarão o encerramento da sua 60ª assembleia mundial. No fim do evento, a igreja terá eleito seus líderes mundiais e as novas lideranças continentais. Provavelmente, também tenha um manual de igreja ligeiramente alterado e sua declaração de crenças modificada, a fim de definir precisamente pontos que podem abrigar posições antibíblicas, como o evolucionismo teísta e a união conjugal homoafetiva.

Porém, até lá, estará votada a questão mais controversa desse encontro: a liberdade/autonomia de cada sede continental da igreja (suas 13 Divisões) poder ordenar ou não mulheres ao ministério pastoral. Para muitos membros da igreja, decisões dessa magnitude poderão significar insegurança quanto aos rumos que a denominação toma, ainda mais se levado em conta a responsabilidade profética que a Igreja Adventista do Sétimo Dia tem para com o restante do mundo na iminência do retorno de Cristo.

No entanto, todas essas decisões, para nós tão cruciais, não passam de pequenos ajustes quando comparadas ao tamanho dos impasses pelos quais a igreja cristã e a adventista já passaram. No período de definição das crenças dos adventistas, por exemplo, ocorreram as “assembleias sabáticas”. Realizadas de 1847 a 1850, as reuniões atraíram estudiosos da Bíblia que tinham em comum apenas a expectativa do segundo advento e o sábado como dia de guarda, para definirem tudo o mais que não lhes era comum. Eventualmente, não havia mais que dois congressistas que compartilhavam o mesmo ponto de vista sobre determinada doutrina cristã. Porém, guiados pelo Espírito Santo, esses pioneiros formaram a base para uma igreja de coesão teológica inigualável entre outras denominações.

Matias, diáconos e circuncisão

É na Bíblia, especificamente no livro de Atos, que encontramos as maiores polêmicas que a igreja teve que resolver. Três delas se destacam: a eleição de um novo apóstolo para substituir o traidor e suicida Judas Iscariotes (At 1:15-26); o estabelecimento do grupo de sete (diáconos) para atender às necessidades das viúvas de fala grega (At 6:1-7); e a inclusão dos não judeus na igreja (At 15:1-35).

A eleição de Matias foi o primeiro impasse. O próprio Cristo havia pessoalmente escolhido os doze discípulos (Lc 6:12-16). Preencher a vaga de Judas era um ato que, de certo modo, trazia ao grupo uma responsabilidade que havia pertencido ao próprio Mestre. E talvez essa seja uma importante lição: eventualmente, a igreja deve se posicionar sobre assuntos em que, literalmente, precisa agir em lugar de Deus na Terra.

É obvio que não devemos alterar o que foi claramente revelado pelo Espírito Santo nas Escrituras. Afinal, Deus não muda seus princípios. Mas necessidades eventuais demandam decisões específicas. E a escolha do novo apóstolo foi um caso desses. O ponto é como os primeiros cristãos procederam: definiram biblicamente os motivos da decisão (veja a argumentação de Pedro em Atos 1:14-22) e oraram (At 1:24 e 25), permitindo a atuação de Deus por meio de sortes, recurso usado apenas essa vez no Novo Testamento.

Por sua vez, a eleição dos sete primeiros diáconos pode ser um exemplo de quando a igreja precisa decidir a respeito de uma necessidade não prevista anteriormente na Bíblia. Em Atos 6:1 a 7, diferentemente da eleição de Matias, não há uso de textos bíblicos para justificar a questão. O tópico parece ser de natureza mais prática do que teológica. No entanto, critérios bíblicos guiaram a decisão (At 6:3). E a igreja prosperou como resultado de uma deliberação acertada (At 6:7).

Por fim, a maior polêmica da fase primitiva da igreja foi a inclusão dos não judeus. A circuncisão tinha sido estabelecida por Deus como emblema de sua aliança com seu povo (Gn 17:9-14). Não se circuncidar indicava estar excluído da aliança com Deus. E, no pensamento de grande parte dos primeiros cristãos, predominantemente de origem judaica, fazer parte do concerto de Abraão por meio da circuncisão era requisito indispensável para a genuína conversão. Afinal, Deus mesmo havia feito essa exigência no Antigo Testamento. Portanto, a questão era complexa, porque tinha implicações teológicas, administrativas, evangelísticas e éticas. Um impasse insuperável na história cristã posterior.

No entanto, a assembleia ocorrida em Jerusalém encontrou justificação bíblica para a questão (At 15:15-21). A isso somou-se a observação de como Deus agia diante da situação (At 15:7-11). Afinal, os conversos incircuncisos demonstravam todos os sinais de regeneração e apresentavam evidências da atuação do Espírito Santo (At 10:47). O consenso foi bem diferente do que uma leitura superficial do Antigo Testamento sugeria. Por isso, a assembleia de Jerusalém publicou um documento dispensando os novos convertidos da prática da circuncisão (At 15:23-29).

Assim o Senhor tem atuado quando sua igreja está diante de impasses. Assim é dever de cada membro da igreja ao redor do mundo orar pelos 2.570 delegados que, durante dez dias, terão a responsabilidade de usar critérios bíblicos para tomar decisões importantes. Dobre seus joelhos em favor dessa assembleia! [Créditos da imagem: Josef Kissinger]

Fernando Dias é pastor e editor de livros didáticos na CPB


Para saber +

Bernhard Oestreich, “Unidade na diversidade”, Ministério, maio-junho de 2012, p. 14-16.

Assembleia elege secretários e tesoureiros associados da sede mundial da igreja

Saiba quais foram os líderes nomeados pela assembleia neste domingo

No terceiro dia da assembleia mundial da igreja foram definidos os líderes associados que atuarão na secretaria e tesouraria da Associação Geral nos próximos cinco anos. Com exceção de Raymond Wahlen, que irá deixar a função de tesoureiro assistente e assumirá o posto de tesoureiro associado, todos os demais continuam na função. Veja abaixo a relação dos líderes nomeados pela assembleia neste domingo:

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A toda nação

Leia o relatório apresentado pelo secretário-executivo da igreja mundial, G.T. Ng, referente aos últimos cinco anos

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A Igreja Adventista do Sétimo Dia começou com um punhado de cristãos milleritas tentando compreender o grande desapontamento de 1844, quando Jesus não voltou conforme esperavam. Esse grupo pequeno de membros fiéis se recusou a deixar de lado a fé. Eles sacudiram o desânimo e, resolutos, obedeceram à ordem bíblica de profetizar “acerca de muitos povos, nações, línguas e reis” (Ap 10:11, NVI).

Das cinzas da história, levantou-se um movimento do tempo do fim. Ao longo das décadas seguintes, esse pequeno grupo de adventistas cresceu e se transformou em um movimento profético global com mais de 18 milhões de membros. Eles se encontram em 216 dos 237 países e regiões do mundo reconhecidos pela ONU. Operam em 148.023 congregações, 173 hospitais, 2.164 escolas de ensino médio e superior, 21 indústrias de alimentos, 15 centros de mídia e 63 editoras. De um grupo desorganizado a uma igreja global — essa transformação nada mais é do que um milagre!

Na primeira assembleia da Associação Geral em 1863, em Battle Creek, Michigan, compareceram 20 delegados representando seis associações locais. Na época, contávamos com 3.500 membros em 125 igrejas, 22 pastores ordenados e oito ministros licenciados. Em contraste, a sexagésima assembleia da Associação Geral, em 2015, conta com a presença de 2.571 delegados oficiais. Eles representam 18.479.257 adventistas do sétimo dia de todos os continentes. Vêm de 132 uniões com 633 postos missionários/missões/associações. Aquilo que Deus tem operado pelo “pequeno rebanho” cresceu exponencialmente em 152 anos!

Em 2010, o total de membros ao redor do mundo era de 16.923.239. Três anos depois, em 2013, o total de membros da Igreja Adventista quebrou um recorde, alcançando o marco de 18 milhões pela primeira vez na história. Em dezembro de 2014, havia 18.479.257 adventistas ao redor do planeta. Comparando com o total de membros em 2010, temos agora 1.556.018 membros a mais do que no início do quinquênio.

Esse número de membros não inclui crianças não batizadas, nem tantos outros que se consideram adventistas do sétimo dia. Em Papua Nova Guiné, por exemplo, o registro do total de membros é de cerca de 250 mil. Mas um censo governamental recente revelou que quase um milhão de pessoas se considera adventista do sétimo dia. Muitos dos que saem da igreja continuam a se considerar adventistas. Na Jamaica, os registros indicam a existência de 262 mil membros. O censo do governo, porém, revela 323 mil pessoas que afirmam ser adventistas do sétimo dia. Em Chiapas, México, a situação é semelhante.

Historicamente, o ano de 1955 foi significativo porque foi a primeira vez que a denominação alcançou o total de um milhão de membros. Foram necessários 92 anos para sair de 3.500 membros em 1863 e alcançar um milhão em 1955. A marca de dois milhões de membros ocorreu dentro de 15 anos; três milhões, depois de oito anos; quatro milhões, após cinco anos; e cinco milhões, depois de três anos. A partir de então, levou cerca de dois anos para alcançar cada milhão adicional de membros. Louvado seja Deus!

Esse notável crescimento da igreja é especialmente significativo ao se levar em conta o declínio prevalente do total de membros entre as denominações protestantes tradicionais. De acordo com um relatório recente do periódico Christianity Today [Cristianismo Hoje], a Igreja Adventista é hoje a “quinta maior comunhão cristã do mundo, depois do catolicismo, o catolicismo ortodoxo oriental, o anglicanismo e as assembleias de Deus” (Christianity Today, 22 de fevereiro de 2015).

Muitos historiadores da igreja observaram que, ao longo dos últimos 50 anos, o centro do cristianismo mudou da América do Norte e Europa (norte do globo), para a África, Ásia e América Latina (sul do globo). O centro cristão na Europa está encolhendo, ao passo que, na África, Ásia e América Latina, ele se expande com velocidade surpreendente. O norte do globo é formado por continentes industrializados, que tradicionalmente enviavam missionários, ao passo que o sul do globo é reconhecido como campo missionário.

Esse deslocamento significativo do número de membros do norte para o sul efetuou uma mudança fundamental no cenário da Igreja Adventista do Sétimo Dia também. Em 1960, a igreja contava com 675 mil membros no sul do globo (54% do total mundial de membros). Meio século depois, o número de membros nessa região alcançou 16,9 milhões, 91,43% do total mundial. O norte do globo, em contrapartida, tinha 570 mil membros em 1960 e, em 2014, contava com quase 1,6 milhão, ou seja, 8,5% do total de membros ao redor do mundo.

Batismos

Essa redistribuição dramática dos membros do norte para o sul do globo também se reflete nas estatísticas batismais. Em 1960, os batismos no norte do globo representavam 31% do total e, no sul, 69% do total mundial, respectivamente. Em 2014, 97% dos batismos mundiais vêm do sul do globo e 3% do norte, uma mudança épica que aponta, por um lado, para o crescimento extraordinário da igreja e, por outro, para seu declínio.

As estatísticas do Departamento de Arquivos, Estatísticas e Pesquisa indicam que, em 2014, 1.167.796 pessoas entraram para a comunidade mundial da fé adventista, contra 1.901.22 em 2013 e 1.050.785 em 2010. Qual é o significado de mais de um milhão de pessoas passarem a pertencer à igreja em um ano? Significa que 3.199 novos membros entram para a igreja todos os dias, ou 133 por hora e 2,2 por minuto.

Em 2004, foi a primeira vez na história da Igreja Adventista que mais de um milhão de pessoas foi batizado em um ano. A empolgação tem continuado ao longo dos anos; 2014 foi o décimo ano consecutivo em que mais de um milhão de pessoas entrou para a igreja. Somente neste quinquênio, 6.618.689 pessoas se uniram à comunidade da fé adventista ao redor do globo pelo batismo e profissão de fé.

Igrejas

O plantio de igrejas é uma prioridade na iniciativa missionária da igreja. Os últimos números mostram que contávamos com 78.810 igrejas e 69.213 grupos em 2014. Em comparação com 2013, 2.446 novas igrejas abriram as portas para os adoradores em um ano, ou seja, 6,7 igrejas por dia. A cada 3,58 horas, uma nova igreja é plantada. O recorde anterior foi alcançado em 2002, com o plantio de 2.416 novas igrejas. O ano de 2014 entra para a história como o melhor de todos no plantio de igrejas.

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Quadro mostra o número de membros e de batismos registrados pela igreja entre 2010-2015. Fonte: Adventist Review

O ano passado foi excepcional nesses 152 anos de história da igreja. Foi o ano com o maior número de batismo e o maior número de igrejas plantadas. Também foi o décimo segundo ano consecutivo em que mais de 2 mil novas igrejas foram organizadas dentro do período de um ano. De modo geral, as 148.023 igrejas e grupos que a igreja tinha em 2014 representam um aumento de 12.678 sobre o total de cinco anos atrás. É notável constatar que, em média, foram acrescentadas 2.536 novas igrejas e grupos por ano desde 2010.

Crescimento

A taxa média de crescimento em 2014 foi de 1,85% ao redor do mundo. Em 2006, a taxa de crescimento foi de quase 5%, transformando-o em um dos melhores anos em termos de crescimento de membros. Com um índice anual de crescimento de 1,85%, a Igreja Adventista do Sétimo Dia é considerada uma das denominações que cresce com maior rapidez no mundo. No entanto, a contemplação desse quadro de crescimento não seria completa sem relembrar os percalços. Nos cinco anos entre 2010 e 2014, 6.212.919 pessoas entraram para a igreja. Durante o mesmo período, 3.7171.683 membros saíram. Além daqueles membros que morreram, a taxa líquida de perda no quinquênio é de 60 a cada 100 conversos.

Essa porcentagem terrivelmente alta é resultado, em parte, de auditorias das secretarias das congregações, processo que identifica e remove do rol de membros pessoas que saíram da igreja ao longo dos anos. Contudo, mesmo olhando para os últimos 15 anos, anteriores à rodada recente de auditorias completas, as perdas equivalentes eram de 48%. Quer essas perdas correspondam a membros que deixaram a igreja neste quinquênio, quer se refiram aos adventistas cujas ausências só foram reconhecidas agora, são números trágicos que a igreja não pode aceitar.

Os processos de auditoria de membros começaram no quinquênio passado e ganharam velocidade neste quinquênio. As auditorias têm confirmado que a honestidade continua a ser a melhor política. Um rol de membros superior à realidade não é mais aceitável nas estatísticas mundiais. Olhando o lado positivo, a Holanda teve a alegria de descobrir, durante uma auditoria recente, que contava com mais membros na igreja do que se imaginava.

Desafios missionários

Nós nos orgulhamos por sermos a igreja mais internacional do mundo, estabelecida em 91% dos países e regiões reconhecidos pela ONU. Parabenizamo-nos por sermos fiéis à ordem profética de profetizar “acerca de muitos povos, nações, línguas e reis” (Ap 10:11). Temos obtido relativo êxito em colocar em prática a grande comissão de fazer “discípulos de todas as nações” (Mt 28:19 e Lc 24:47).

Quando pensamos em “nações”, muitos se lembram de países como Mali, Egito ou Brasil. Todavia, as palavras no grego são panta ta ethne, que vão além de entidades geopolíticas. Elas apontam, na realidade, para os grupos etnolinguísticos dentro de cada nação. Jesus não estava dizendo que o evangelho deve ser proclamado dentro das fronteiras de todos os países politicamente definidos, mas, sim, em cada grupo cultural dentro desses países. A ordem de Jesus não era meramente a missão de entrar no máximo possível de países, ou de alcançar tantas pessoas quanto possível, mas, sim, de alcançar todos os povos do planeta.

Levando em conta o conceito da iluminação de panta ta ethne, podemos deduzir que o cumprimento da grande comissão não se mede pelo número de países nos quais entramos, por mais importante que isso seja, mas, sim, pelo fato de discipularmos todos os grupos de pessoas e estabelecermos congregações em todas as nações.

O Quênia é um caso em questão. Ele sempre foi o centro de nosso trabalho no leste da África. O país conta com um total gigantesco de membros: mais de 824 mil em duas uniões. A maioria dos membros provém de apenas quatro tribos, ao passo que há um total de 42 tribos no país. Estima-se que 70% dos adventistas do sétimo dia do Quênia pertençam a duas tribos, Kisii e Luo, e somente 25% façam parte das quatro tribos principais (Kikuyu, Luhya, Kalenjim e Kamba). Essa situação mostra claramente que as maiores tribos do Quênia são as menos alcançadas, apesar do imenso número de membros e das quase 10 mil igrejas e grupos.

Outro exemplo é a disparidade entre a missão rural e urbana. Muitos países desfrutam crescimento fenomenal em ilhas e vilas. Dezenas de milhares são batizados todos os anos. Embora aplaudamos a farta colheita no campo, devemos ter consciência dos vastos milhões de habitantes das cidades que necessitam das três mensagens angélicas, assim como as pessoas da zona rural. Uma melhor compreensão de panta ta ethne deve guiar nossa estratégia missionária, a fim de que englobe todos os grupos de pessoas, não só determinados segmentos da população.

A expressão panta ta ethne também subentende que a grande comissão não se limita a missões estrangeiras. Sem dúvida, a missão em outras terras é um componente crucial no cumprimento da grande comissão. Quatro quintos dos não cristãos do mundo nunca serão alcançados, a menos que sejamos intencionais no envio de missionários transculturais. Mas a grande comissão não se restringe às missões em terras estrangeiras. Todos os cristãos devem ter um foco ta ethne além das próprias portas, na comunidade em que vivem.

Existem grupos de pessoas de todos os tipos perto de nós. Elas podem morar na casa ao lado, no fim da rua ou do outro lado da cidade. Todos têm uma parte a desempenhar na missão da igreja. Todo o povo de Deus deve se engajar na missão.

Ellen White escreveu: “Deus espera serviço pessoal da parte de todo aquele a quem confiou o conhecimento da verdade para este tempo. Nem todos podem ir a terras missionárias estrangeiras, mas todos podem ser missionários entre os familiares e vizinhos” (Testemunhos para a Igreja, v. 9, p. 30).

Conclusão

A história da Igreja Adventista nos últimos cinco anos é de crescimento incessante e voraz: de 14 milhões de membros em 2005, para 17 milhões em 2010, para 18,5 milhões em 2014. O progresso constante da denominação seria inimaginável para nossos pioneiros em 1863, quando a Associação Geral foi organizada com apenas 3.500 membros.

Contudo, a despeito dos sucessos, grandes porções da Terra continuam não alcançadas. A Janela 10/40 contém 60% da população mundial, mas apenas 10% do total de adventistas. Das quinhentas cidades do planeta com mais de 1 milhão de habitantes, 236 se encontram dentro da Janela 10/40. O que devemos fazer?

Alguns desses desafios podem parecer intransponíveis da perspectiva humana. Mas Deus pode; suas promessas são garantidas. A certeza de Ellen White era indubitável quando escreveu: “Quando pensamos no conflito diante de nós e na grande obra que devemos realizar, trememos. Mas precisamos nos lembrar de que nosso Ajudador é todo-poderoso. Podemos nos sentir fortes em sua força. Devemos unir nossa ignorância à sabedoria dele, nossa fragilidade a seu poder, nossa fraqueza a sua força infalível. Por meio dele, podemos ser ‘mais que vencedores’” (Review and Herald, 9 de julho de 1901).

Temos a confiança de crer que até mesmo os países e povos menos evangelizados logo verão o cumprimento da promessa de Deus dada por intermédio do profeta Habacuque: “A terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor, como as águas enchem o mar” (Hb 2:14, NVI). Essa é nossa esperança. Esse é nosso sonho. Somente o Deus soberano pode realizá-lo com toda rapidez! [Fonte: Adventist Review / Tradução: Cecília Eller Nascimento]


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Segundo relatório apresentado nesta sexta-feira, 3 de julho, durante a assembleia mundial que acontece em San Antonio, no Texas (EUA), a Igreja Adventista está presente em 215 dos 237 países reconhecidos pela ONU.

Quando os 20 delegados da primeira assembleia-geral da Igreja Adventista chegaram a Battle Creek, em maio de 1863, jamais poderiam imaginar que 152 anos depois, cerca de 60 mil pessoas de mais de 200 países se reuniriam a fim de celebrar, em outra assembleia, a unidade, a missão e a esperança da vinda de Cristo, seguindo o legado que eles deixaram. De fato, a cada encontro mundial, os adventistas são envolvidos por um sincero sentimento de gratidão a Deus por todas as conquistas que ele tem proporcionado. Porém, precisam também refletir sobre a tarefa inacabada e agir em resposta a esse desafio.

Uma história em cinco tempos

Numa avaliação histórica sobre o crescimento mundial da Igreja Adventista, tomando por base os relatórios estatísticos da denominação, é possível identificar cinco períodos. A partir da organização da Associação Geral, em 1863, e até 1901, os adventistas avançaram em termos missionários, partindo do trabalho restrito à América do Norte, passando pela missão às nações protestantes e seguindo adiante para conquistar o mundo. Em 1900, a igreja tinha representações em todos os continentes, com 76 mil membros: 83,6% deles vivendo na América do Norte e 16,4% no exterior.

O segundo período, de 1901 a 1930, apresentou uma nova dinâmica. Com a reorganização da sede mundial e a liderança visionária de Arthur G. Daniells (1901-1922) e William A. Spicer (1922-1930), a igreja deixou de ser predominantemente norte-americana para se tornar efetivamente global. Em 1920, dos 6.955 funcionários da igreja, 62% trabalhavam fora da América do Norte. Ainda na metade da década de 1920, o número de adventistas do restante do mundo ultrapassou os que viviam nos Estados Unidos, de maneira gradual e irreversível.

Na fase seguinte, de 1930 e 1965, houve a nacionalização da liderança adventista em boa parte dos territórios alcançados. O desenvolvimento dos funcionários nativos e o espírito nacionalista que se seguiu à Segunda Guerra Mundial contribuíram para esse processo. Tal desenvolvimento se refletiu no crescimento. Em 1955, pela primeira vez em sua história, a denominação ultrapassou a marca de 1 milhão de membros.

Embora a Igreja Adventista mantivesse seu foco missionário e crescimento contínuo, uma mudança sensível passou a ser vista no período seguinte (1965-1990): surgiram as campanhas mundiais de estímulo à evangelização. Impulsionados por slogans como “Reavivamento, Reforma, Evangelismo”, “Mil Dias de Colheita” e “Colheita 90”, a igreja saiu de quase 1,6 milhão para 6,7 milhões de membros. A média anual de batismos diários também subiu nessa fase: de 397 para 1.347.

Missão global

Contudo, uma avaliação honesta do cenário revelava algo inconveniente. Em primeiro lugar, os quase 7 milhões de adventistas representavam um rebanho inexpressivo perto dos 5 bilhões de habitantes do planeta em 1990. Além disso, em regiões como Europa, Ásia e Oriente Médio, a igreja enfrentava grandes desafios evangelísticos, sem contar os diversos grupos populacionais e etnias não alcançados nos países em que já havia presença adventista.

Esses fatores resultaram, em 1990, no lançamento do programa que representa o maior esforço missionário da história adventista: a Missão Global. Desde então, a igreja tem investido de forma ampla, estratégica e consistente na evangelização mundial. Em 2005, o programa foi realocado para o escritório da Missão Adventista na sede mundial. Com o desafio de estabelecer a presença da igreja em “cada nação, tribo, língua e povo”, pastores e membros têm participado de iniciativas como “Diga ao Mundo” e “Esperança para as Grandes Cidades”.

De 1990 para cá, a igreja tem registrado seus maiores índices de crescimento. Em 1998, a denominação ultrapassou a marca de 10 milhões de membros. Em 2006, pela primeira vez em sua história, obteve uma média anual de mais de 3 mil batismos diários. No ano passado, a igreja chegou ao seu 10o ano consecutivo batizando anualmente mais de 1 milhão de pessoas e plantando mais de 2 mil congregações. Hoje, em média, existe um adventista para cada 393 habitantes do mundo, uma proporção nunca antes alcançada. Assim, ao chegar a San Antonio, Texas, os delegados da 60a assembleia mundial representam 18,5 milhões de fiéis de 215 países.

Tarefa inacabada

Os números significativos dos últimos anos, contudo, não devem ofuscar os grandes desafios do adventismo no século 21. Em primeiro lugar, esse crescimento empolgante da igreja se limita ao hemisfério Sul, tendo em vista que, nos países desenvolvidos, o adventismo está estagnado ou declinando, crescendo apenas entre os imigrantes.

Outro ponto é que, apesar de ter avançado territorialmente, a igreja ainda se depara com o quadro identificado pelo programa Missão Global: muitas etnias não foram alcançadas. A demanda exige diversificação de métodos e mais gente disposta a servir a “toda tribo”.

Por último, existe o drama da apostasia e o desafio do discipulado. Entre 1964 e 2014, foram batizadas mais de 33 milhões de pessoas. Entretanto, quase 14 milhões abandonaram a igreja ou estão desaparecidas. De acordo com o pesquisador adventista Monte Sahlin, as razões principais para que pessoas saiam do adventismo estão mais relacionadas com problemas pessoais do que com questões doutrinárias. Em outras palavras, de alguma forma, as comunidades de fé não têm conseguido dar o suporte necessário a seus membros para que superem as dificuldades da vida.

Diante das festividades da assembleia mundial de San Antonio, é tempo de celebrar as conquistas; de refletir sobre os desafios; e de se levantar e brilhar. Afinal, Jesus está voltando!

Wellington Barbosa é pastor, mestre em Teologia e editor de livros na CPB


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Em discurso após a reeleição, Ted Wilson convocou pastores e membros para se unirem na missão

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Wilson disse que estava preparado para qualquer tipo de decisão que fosse tomada na assembleia. Foto: reprodução Adventist Review

O pastor Ted Wilson continuará exercendo a função de líder máximo dos 18,5 milhões de adventistas no mundo durante os próximos cinco anos. Com a aprovação de cerca de 90% dos delegados, ele foi reeleito na tarde desta sexta-feira, 3, após um momento histórico de observações no plenário da assembleia que durou aproximadamente 40 minutos. Ao ser reconduzido ao cargo, ele foi aplaudido pelo auditório.

Após a decisão, acompanhado da esposa Nancy, Wilson fez um breve discurso no qual convocou pastores e membros para se unirem na missão. O pastor Ted Wilson também prometeu buscar diariamente a direção de Deus para liderar a igreja, assim como procurou fazer ao longo da primeira gestão.

Depois disso, ele seguiu para a tradicional coletiva de imprensa. Na conversa com os jornalistas, destacou que a oração e a missão devem continuar sendo as principais ênfases da igreja no próximo quinquênio.

O homem por trás da função

Até quem discorda da posição do líder mundial adventista sobre a ordenação de mulheres, reconhece que o pastor Ted Wilson é um homem bondoso e apaixonado pelo evangelismo. Quem o descreve assim é o pastor Chad Stuart, líder da Igreja de Spencerville, que fica a 10 km da sede mundial adventista, em Silver Spring, Maryland (EUA).

A entrevista feita por Chad e publicada no site da Adventist Review procura retratar um pouco do homem que está por trás da função. O jovem ministro diz que o presidente da igreja é conhecido por orar com os funcionários do escritório mesmo em meio à sua agenda lotada e de deixar cartões pessoais e flores sobre a mesa de um servidor que está enlutado ou que ficou afastado do trabalho por causa de uma doença. Atitudes como essa mostram a sensibilidade do líder em demonstrar compaixão, cristianismo autêntico e até respeito por quem pensa diferente dele.

Na conversa com Chad, Ted Wilson falou do que sentiu quando foi eleito em 2010 e dos valores que recebeu do pai Neal Wilson, que presidiu a denominação de 1978 a 1990, e das diferenças de personalidade entre os dois. Ressaltou que a igreja não é dirigida por um homem apenas, mas por colegiados, o que exige habilidade para ouvir opiniões diversas. Também destacou que não está nervoso em relação à votação sobre a ordenação feminina ao ministério, porque acredita que Deus está no leme da igreja. “Se o Espírito Santo não estivesse dirigindo esse movimento,
ele teria sido desintegrado há muito tempo”, garantiu.

Por fim, Ted Wilson falou de seu entusiasmo com a distribuição, aos milhões, do livro O Grande Conflito, best-seller adventista de autoria de Ellen G. White. E do seu sonho de ver a igreja trabalhando de forma mais intensa, estratégica e holística nas metrópoles, conforme orientou a mensageria do Senhor há mais de cem anos.

Trajetória

Ted Wilson foi eleito como presidente mundial da Igreja Adventista do Sétimo Dia em julho de 2010 durante a assembleia mundial de Atlanta. Nascido em Takoma Park, Maryland (EUA), em 10 de maio de 1950, o filho do ex-presidente mundial da Igreja Adventista Neal C. Wilson passou parte de sua infância no Egito.

Ele começou sua carreira como pastor em 1974 em New York. Em 1975, se casou com a fisioterapeuta Nancy Louise Vollmer Wilson, com quem teve três filhas.

Wilson serviu como diretor assistente e depois como diretor de Ministérios Metropolitanos em Nova York de 1976 a 1981. Logo depois, passou a servir a igreja na Divisão Sul-Africana Oceano Índico como departamental e secretário-executivo.

Sua trajetória também passa pela Rússia, onde exerceu o cargo de presidente da Divisão Euro-Asiática, com sede em Moscou, entre 1992 e 1996.

Ted Wilson retornou aos Estados Unidos para servir como presidente da Review and Herald Publishing Association, em Hagerstown, Maryland, até sua eleição como vice-presidente mundial da Igreja Adventista em 2000, durante a assembleia de Toronto, no Canadá.

Wilson tem doutorado em Filosofia na Educação pela New York University, mestrado em Divindade pela Andrews University e mestrado em Saúde Pública pela Loma Linda University. Além de Inglês, ele fala francês e um pouco de russo. [Márcio Tonetti e Wendel Lima, equipe RA / Com informações do site adventist.org]


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Líder mundial desafia a igreja a seguir adiante


Para saber +

Presidente eleito mais velho

John Byington, 65 anos de idade

Presidente eleito mais jovem

George I. Butler, 37 anos de idade

Presidente reeleito mais vezes

Tiago White, 1865—1867; 1869—1871; 1874—1880

Presidente que exerceu o cargo por mais tempo

Arthur G. Daniells, 21 anos

Presidentes que ficaram menos tempo na função

John Byington, dois anos

John N. Andrews, dois anos

Presidentes não americanos

Ole A. Olsen, Noruega

Charles H. Watson, Austrália

Robert S. Folkenberg, Porto Rico

Jan Paulsen, Noruega

Média de idade dos presidentes quando assumiram o cargo

52,7 anos de idade

Fonte: Adventist Review / Com tradução de Cecília Eller Nascimento

O glorioso clímax da história: a promessa do retorno de Cristo

Todo pensamento e toda atividade de nossa vida devem ser definidos por esse clímax da história humana que está prestes a acontecer

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De todas as promessas de Jesus, a expressa em João 14:1-3 é a mais pessoal, consoladora e segura. “Não se perturbe o coração de vocês. Creiam em Deus; creiam também em mim. Na casa de meu Pai há muitos aposentos; se não fosse assim, eu lhes teria dito. Vou preparar-lhes lugar. E se eu for e lhes preparar lugar, voltarei e os levarei para mim, para que vocês estejam onde eu estiver”.[i]

O que Jesus está dizendo aqui? Basicamente o seguinte: “Eu sei que vocês confiam em Deus; sei que também confiam em Mim. Mas quando pararem de me ver, deixarão de confiar? Continuo conduzindo-os até o destino final. Levem Minha Palavra a sério. Eu virei mais uma vez e nós ficaremos juntos”.

Um Senhor digno de confiança

Será que confiamos nas palavras de Jesus, mesmo quando Ele não está fisicamente conosco? Ou temos um pouco de Tomé dentro de nós? No relato da ressurreição de Jesus, Tomé buscou uma base mais racional para uma história tão extraordinária: “Eu estou bem, meu coração está bem, minha fé está bem, está tudo bem. Mas estou com um problema: a menos que eu sinta Suas feridas com minhas mãos, simplesmente não consigo crer”. Uma semana depois, Jesus lhe deu essa oportunidade. O Cristo ressurreto desafiou o discípulo duvidoso: “Toque-me e veja”. E foi isso que Tomé fez. Sentiu as feridas de Jesus e se rendeu: “Senhor meu e Deus meu” (João 20:28).

A resposta de Jesus tem relevância eterna para a jornada da fé: “Porque você me viu, você creu? Felizes os que não viram e creram” (versículo 29). As palavras de Jesus são tão boas quanto Sua presença. Mesmo enquanto esperamos, Suas palavras “virei outra vez” falam com uma certeza que não admite nem dúvida, nem zombaria.

O evangelho de João relata um episódio emocionante no capítulo 4. Em Cafarnaum, o filho de um nobre estava doente. O oficial ouvira que Jesus estava novamente em Caná, onde havia realizado Seu primeiro milagre em um casamento.

Mas Jesus não se limita apenas a Caná. Ele é universal, uma pessoa para todas as pessoas. É o Salvador do mundo. Sua palavra ordena a vida. Por isso, o nobre de Cafarnaum se apressou para viajar cerca de 36 quilômetros na direção sudoeste até Caná, a fim de encontrar Jesus e lhe dizer que seu filho estava “à beira da morte” (João 4:47). “Vem até minha casa, Jesus”, ele suplicou. “Resgata meu filho das garras da morte. Tu podes curá-lo. Confio em Ti”.


Todo pensamento e toda atividade de nossa vida devem ser definidos por esse clímax da história humana que está prestes a acontecer


A resposta do Salvador é surpreendente: “Pode ir. O seu filho continuará vivo” (versículo 50). Jesus parece dizer: “Eu não preciso ir com você. Você tem Minha Palavra. Confie em Mim. Minha palavra é tão boa quanto Minha presença”.

O nobre confiou nas palavras de Jesus e só voltou para casa no dia seguinte. Quando finalmente chegou, “seus servos vieram ao seu encontro com notícias de que o menino estava vivo” (versículo 51). O homem descobriu que a cura havia ocorrido justamente no momento em que Jesus falara. A palavra de Cristo nunca falha — seja em Caná, Cafarnaum, Betesda, Jerusalém, San Antonio ou Londres — Sua palavra é tão boa quanto Sua presença.

E foi esse Jesus quem disse: “Voltarei” (João 14:3).

Suas promessas são dignas de confiança

Confiar em Jesus é se apoiar em algo real e concreto. “Na casa de meu Pai”, esse é o lar! Ele estava indo para casa e se ofereceu para partilhar esse lar com aqueles que depositam fé e confiança nEle. Seu retorno deve nos mover da fé e do acreditar a uma experiência real e concreta. Quando Ele voltar, não dirá “Toque-me e veja”, mas, sim, “Entre na alegria de Seu Senhor. Habite comigo na casa de Meu Pai. Essa é sua herança preparada desde a fundação do mundo” (cf. Mateus 25:21, 34). A promessa de viver na casa de Deus é tão real quanto a experiência de Tomé de tocar o lado ferido de Jesus.

Quando Cristo falou sobre uma casa no céu, não estava se referindo a sua beleza, amplidão ou caráter desejável. Ele falou sobre a casa de Seu Pai. Essa casa é diferente de todas as outras. Trata-se de um local construído pelo amor. É o lugar onde podemos ser as pessoas que Deus nos criou para ser, onde podemos voltar para o lar, tirar os sapatos e relaxar.

Essa é a casa que Jesus prometeu. Somos aceitos e amados ali; e pertencemos a esse lugar. Jesus diz: A casa de Meu Pai é a sua casa também. O seio eterno de Deus se torna nosso lugar de descanso eterno, onde podemos nos apoiar, celebrar nossa alegria duradoura e bradar em triunfo: “Nunca mais haverá separação entre Ele e nós”. Estamos no lar afinal!

Jesus usou imagens familiares de Sua época para ilustrar Seu retorno, a saber, viagens e um casamento. Quando as autoridades viajavam, as pessoas eram enviadas à frente para fazer todos os preparativos para o restante do grupo. Jesus faz isso por nós. Ele vai à frente a fim de preparar um lugar para podermos viajar até nossa casa. Enquanto aguardamos Seu retorno, ele pede que preparemos um lugar para Jesus no coração das pessoas ao nosso redor, a fim de que elas também possam fazer a viagem.

Em Israel, quando um jovem queria se casar, ele pedia aprovação a seu pai. Somente quando era construída uma extensão na casa, o pai concordava que o casamento prosseguisse e a noiva fosse levada para casa. Nosso Pai celeste quer que Jesus Cristo, Seu Filho, nos leve para o lar.

Como chegar lá?

Mas como chegaremos lá? A resposta é a mesma: confiança em Jesus. Ele é “o caminho, a verdade e a vida” (João 14:6). Ninguém chega até o Pai, ou a Sua casa, a não ser por meio dEle. Não importa quem somos — homens ou mulheres, negros ou brancos, jovens ou velhos, ricos ou pobres, saudáveis ou doentes. O que importa de fato é que vamos para a Casa do Pai por intermédio de Jesus e há lugar para todos ali.

Enquanto a Guerra do Vietnã assolava a região, um soldado voltou para casa. Assim que pousou nos Estados Unidos, ele ligou para os pais. Sua mãe atendeu o telefone e ficou muito feliz por ouvir a voz do filho. Empolgada, exclamou:

— Estou feliz porque você conseguiu, filho. Esse é o melhor presente de Natal que poderíamos receber! Venha logo. Seu quarto estará preparado.

A voz do outro lado da linha assumiu um tom hesitante, que mal passava de um sussurro:

— Mas mãe…

— Sim?

Mais uma vez, a voz se encheu de cautela:

— Trouxe um amigo comigo. Posso levá-lo para a festa de Natal?

— Claro que pode! Seu amigo é nosso amigo também.

O filho continuou a explicar:

— Mas mãe, esse meu amigo está muito ferido. O rosto se encontra totalmente desfigurado. Na guerra, ele perdeu um olho, um braço e as duas pernas. A aparência dele é esquisita. Não é algo belo de se ver e ele pode precisar de um pouco de ajuda.

O silêncio pairou do outro lado da linha. Depois daquilo que pareceu uma eternidade, a mãe finalmente disse:

— Filho, por que você não o deixa em um hotel e simplesmente vem para casa? Não há lugar para ele na festa.

O filho nunca chegou à celebração. A mãe foi sozinha para as festividades da véspera de Natal. Por volta das quatro da manhã, quando chegou em casa, o telefone tocou. Ela atendeu rapidamente e ouviu a voz de um policial:

— Senhora, encontramos o corpo de um veterano do Vietnã em um quarto de hotel; ao que tudo indica, suicidou-se. Ele tinha o rosto desfigurado; havia perdido um olho, um braço e as duas pernas. Pelos documentos, acreditamos ser seu filho.

A casa de nosso Pai é radicalmente diferente. A chegada ao lar que Jesus foi preparar será um acontecimento alegre. Ninguém notará as cicatrizes no rosto de uma pessoa, nem as deficiências no corpo de outra. O mortal se revestirá de imortalidade. O próprio Cristo será nossa perfeição e Ele nos conduzirá à casa de Seu Pai.

O que podemos fazer?

O que podemos fazer em antecipação a esse momento que logo chegará?

Somos desafiados a viver na expectativa da vinda de Jesus. Cada pensamento e atividade de nossa vida devem ser definidos por esse clímax iminente da história humana. É Jesus quem voltará como o Senhor da glória. O mesmo Jesus que venceu a batalha contra o pecado logo descerá nas nuvens do céu para nos levar para casa. É por isso que Paulo aconselha: “Mantenham o pensamento nas coisas do alto, e não nas coisas terrenas” (Colossenses 3:2). Nosso lar está no alto.

Com esse foco, somos chamados a conduzir a vida em vigilante expectativa e testemunho. O conselho apostólico é: “O fim de todas as coisas está próximo”. “Portanto, sejam criteriosos e estejam alertas; dediquem-se à oração” (1Pedro 4:7). A espera pelo lar do alto pode ser desacreditada como se fosse um sonho utópico, mas para aqueles que creem nas palavras de Jesus, o evento de Sua segunda vinda é tão histórico quanto o primeiro. Jesus voltará na história, no tempo e no espaço.

Tal acontecimento demanda confiança sem reservas nAquele que fez a promessa. “Confie em Mim”, podemos ouvi-lo dizer. “Eu voltarei para levar você à casa de Meu Pai”.

Viver com tal confiança é nosso desafio hoje. “Comportemo-nos com decência”, Paulo nos conclama, considerando a aproximação da aurora (Romanos 13:13). Podemos viver em meio à escuridão, mas, pelos olhos da fé, devemos manter em vista a aurora que se aproxima e viver de modo que não sejamos pegos desprevenidos. A segunda vinda deve nos deixar despertos e sóbrios (1Tessalonicenses 5:6) e precisa nos levar a um autoexame, a fim de fazermos a seguinte reflexão: “que tipo de pessoa é necessário que você seja? Viva de maneira santa e piedosa, esperando o dia de Deus e apressando a sua vinda” (2Pedro 3:11, 12).

No fim das contas, é isso que importa. Enquanto esperamos, enquanto aguardamos, estamos vivendo de maneira responsável e amorosa, refletindo prontamente o caráter e a missão do Senhor que logo vem? O conselho de Ellen White é oportuno: “Vigiem pelo Senhor com mais fervor do que eles vigiam pela alvorada. Esperem no Senhor. Andem em Seus caminhos. Declarem Sua verdade. Ele muito se agrada quando Seus servos falam da fé… Ele trabalha por vocês e com vocês” (Carta 66, 1901, em Manuscript Releases, vol. 10, p. 388). [Tradução: Cecília Eller Nascimento]

Janos Kovacs-Biro é natural da Hungria e atua como diretor da Associação Ministerial e dos departamentos de Evangelismo e Ministério Pessoal da Divisão Transeuropeia em Saint Albans, Inglaterra.

Mensagem apresentada na quinta-feira, 2 de julho de 2015, na 60ª assembleia da Associação Geral, em San Antonio, Texas (EUA)

[i] Todas as citações bíblicas foram extraídas da Nova Versão Internacional.

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Líderes da igreja definem novo diretor financeiro da sede mundial

Juan Prestol-Puesán assumirá a função no lugar do pastor Robert Lemon

Créditos da imagem: Leônidas Guedes

Nascido na República Dominicana, Juan Prestol-Puesán possui vasta experiência como tesoureiro em vários níveis administrativos da igreja. Foto: Leônidas Guedes

A tarefa de administrar os recursos financeiros da igreja no mundo foi confiada a um novo líder. O nome de Juan Prestol-Puesán foi indicado pela Comissão de Nomeações e aprovado na tarde de sexta-feita, 3, pelos delegados da assembleia mundial que acontece em San Antonio, no Texas (EUA). Prestol-Puesán vai assumir a função no lugar do pastor Robert Lemon, que irá se aposentar.

Nascido na República Dominicana, o pastor Prestol-Puesán possui vasta experiência como tesoureiro em diversos níveis administrativos da organização adventista. Além de ter exercido essa função nas divisões Euro Asiática e Norte-Americana, ele trabalhou nos últimos anos como vice-tesoureiro da sede administrativa mundial da igreja.

Cenário desafiador

Juan Prestol-Puesán assume o cargo num contexto de volatilidade dos mercados financeiros ao redor do mundo, o que torna ainda mais desafiadora a missão de gerenciar os fundos da igreja. No entanto, conforme ele acredita, embora as alterações nas taxas de juros, as variações cambiais e as mundanças na economia mundial possam trazer surpresas, a igreja deve seguir confiante em Deus e com o foco na missão. “Temos que confiar no Senhor e, como gestores, trabalhar de maneira cuidadosa e atenta”, enfatizou o novo diretor financeiro em entrevista à Adventist Review.

Outro grande desafio, na opinião dele, são as mudanças demográficas. “A nova geração tem dúvidas sobre como a igreja opera. Não só como a igreja utiliza seus recursos, mas sobre como a igreja vai envolvê-los no ministério”, observou Prestol-Puesán. Por isso, ele disse que irá se comprometer em ouvir esse público. [Márcio Tonetti, equipe RA / Com informações da Adventist Review]