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A perseverança é essencial para o sucesso na vida e para concluir este ano

Talita Castelão
Foto: Adobe Stock

Você já observou alguma criança na praia brincando de fazer castelos na areia? É bonito de ver. As crianças costumam recomeçar tantas vezes quantas forem necessárias, à medida que as ondas derrubam suas esculturas. Essa virtude de não desistir com facilidade se chama perseverança. Mas por que será que quando a gente cresce essa característica tende a diminuir?

O estudo da perseverança sempre desafiou os pesquisadores do comportamento humano. A psicóloga e educadora Angela Lee Duckworth, por exemplo, ao estudar sobre líderes ­bem-sucedidos em várias áreas, como negócios, artes, esportes, jornalismo, medicina, academia e direto, encontrou duas coisas comuns entre eles: direção e persistência. Direção no sentido de que eles sabiam exatamente o que desejavam, o que os movia. E persistência no sentido de que eles não desistiram e fizeram grande esforço pessoal para alcançar suas metas.

Esses dois elementos, direção e persistência, Angela resumiu numa só palavra, que dá nome ao seu livro sobre o tema: Garra: O Poder da Paixão e da Perseverança (Intrínseca, 2016). Nele, a psicóloga explica que algumas pessoas são dedicadas quando as coisas vão bem, mas desmoronam quando enfrentam adversidades, chegando a abandonar completamente o objetivo que antes as motivavam. Por isso, os estudos em psicologia do sucesso, a área que estuda o desenvolvimento profissional e pessoal, demonstra que quem perservera mais obtém maior êxito. Nessa perspectiva, a garra pode ser mais importante do que o talento. De fato, apenas a aptidão não garante o sucesso. Empenho e trabalho árduo importam mais que a capacidade intelectual. Por isso, muitas vezes a gente escuta alguém comentar: “Fulano conseguiu realizar o próprio sonho porque teve muita perseverança.”

Há duas coisas em comum entre líderes bem-sucedidos em várias áreas: paixão e perseverança

Ter garra implica a atitude de não desistir antes de terminar o que se começou. Mas a garra não é um traço fixo e imutável. Ela pode variar ao longo do percurso, podendo crescer, inclusive. A garra se mostra muito mais nos objetivos de longo prazo, nas metas que não são abandonadas apesar dos obstáculos e dificuldades. Na garra, porém, a perseverança caminha ao lado da paixão. Então precisamos ser realistas. Não podemos nos obrigar a ter interesse em algo que pareça desinteressante.

Você já notou que as pessoas parecem inteligentes quando falam daquilo que realmente gostam? O desempenho sempre aumenta quando faço algo que me interessa. Embora na vida real nem sempre possamos fazer o que gostamos, sabemos que as pessoas ficam mais satisfeitas quando suas preferências pessoais e seu trabalho estão alinhados.

Quando a gente cresce, muitas vezes nossa perseverança definha, porque não somos treinados a sair da zona de conforto. Acabamos deixando as complexidades para os “gênios”. Aliás, chamar alguém de “gênio” me exime de algumas responsabilidades – como ter esforço para competir, por exemplo. Então entregamos os pontos sem culpa. Felizmente, nosso cérebro é plástico e se fortalece quando superamos as contrariedades da vida. Assim, a persistência pode vencer a resistência, e todos podemos cruzar a linha de chegada.

TALITA CASTELÃO é psicóloga clínica, sexóloga e doutora em Ciências

(Artigo publicado na seção Em família da edição de dezembro de 2020 da Revista Adventista)

Sobre Talita Borges

Talita Borges
Psicóloga clínica, sexóloga e doutora em Ciências

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