Cigarro eletrônico

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O argumento de que ele ajuda quem quer parar de fumar é mito

Foto: Adobe Stock

“Tenho 15 anos, e os meus amigos estão usando cigarros eletrônicos, argumentando que é seguro. Os garotos populares estão vapeando e eu me sinto excluído. ‘Vapear’ é realmente prejudicial?”

Agradecemos por essa pergunta tão importante. Essa é uma idade vulnerável, na qual a pressão dos amigos e o desejo de fazer parte do grupo popular são enormes desafios que dificultam fazer as melhores escolhas. A resposta curta é sim, “vapear” é realmente prejudicial à saúde.

Os cigarros eletrônicos foram desenvolvidos em 2003 por um farmacêutico chinês. Eles não emitem fumaça e sim vapor, mas este contém nicotina, aromatizantes e outros produtos químicos que se infiltram nos pulmões. Há centenas de marcas no mercado, que podem se assemelhar a cigarros, charutos, cachimbos, canetas, até mesmo pendrives. Eles usam cartuchos cheios de nicotina, aromatizantes e outros produtos químicos, bem como um dispositivo de aquecimento alimentado por bateria, chamado vaporizador. O sopro ativa o processo produzindo calor, o líquido no cartucho é vaporizado, e o vapor é inalado através dos pulmões. Este é o processo do cigarro eletrônico.

Os jornais e mídias sociais têm noticiado resultados nefastos relacionados ao vape, como também é chamado. Entre eles estão várias mortes, noticiadas em todo o mundo, devido a lesões severas nos pulmões atribuídas a essa prática.

OS CIGARROS ELETRÔNICOS EXPÕEM O ORGANISMO A DIFERENTES SUBSTÂNCIAS, INCLUINDO O DIACETIL, QUE PODE CAUSAR UMA DOENÇA GRAVE E IRREVERSÍVEL NOS PULMÕES

A seguir estão alguns fatores importantes a ser considerados. A maioria dos cigarros eletrônicos contém nicotina química, que é viciante. A nicotina pode provocar alterações prejudiciais no cérebro do adolescente. Essa droga também é perigosa durante a gravidez e pode afetar o desenvolvimento do feto. O aerossol contém solventes potencialmente nocivos, aromatizantes e toxinas que podem provocar sérios problemas pulmonares.

Os cigarros eletrônicos expõem o organismo a diferentes substâncias, incluindo o diacetil, que é usado para produzir um sabor amanteigado e que pode causar “pipoca pulmonar”, uma doença grave e irreversível nos pulmões. O envenenamento potencialmente fatal resulta da ingestão acidental ou da inalação do líquido do cigarro eletrônico. Embora tenha
sido divulgado que esse tipo de cigarro ajuda as pessoas a deixar de fumar, aqueles que usam ou já usaram o e-cigarro têm menos probabilidade de abandonar completamente o fumo. Os adolescentes que usam cigarro eletrônico são mais propensos a também começar a usar regularmente o cigarro convencional. O uso continuado de nicotina pode também tornar mais prazeroso para o usuário outras drogas como a cocaína.

Os aromatizantes, o marketing e o conceito errado de que “vapear” não seja prejudicial seduzem os adolescentes. Mas existe a preocupação de que essa prática aumente a chance de eles passarem a fumar cigarros convencionais mais tarde, e as evidências atuais de fato apontam para isso.

“Vapear” tabaco/nicotina é a maneira mais comum usada pelos jovens, mas “vapear” maconha se tornou mais comum entre estudantes do ensino médio. Ambas as formas de uso são conhecidas como prejudiciais ao desempenho acadêmico e ao bem-estar psicológico dos jovens.

A nicotina é uma droga perigosa e altamente viciante. Aumenta a pressão arterial, estreita e enrijece as artérias, aumenta o ritmo cardíaco e contribui para os ataques cardíacos. Os cigarros eletrônicos e todos os tipos de produtos do tabaco contêm nicotina e outras toxinas perigosas. A melhor opção é não utilizar esses produtos em nenhuma das suas formas. Deus irá honrar e fortalecer sua decisão de se manter saudável.

PETER LANDLESS é cardiologista e diretor do Ministério da Saúde da sede mundial adventista em Silver Spring, Maryland (EUA); ZENO CHARLES-MARCEL é clínico-geral e diretor associado desse mesmo ministério

(Artigo publicado na edição de março de 2020 da Revista Adventista / Adventist World)

Última atualização em 27 de agosto de 2021 por Márcio Tonetti.

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