A hora das mulheres

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A visão de uma experiente adventista sobre a liderança feminina no ancionato

Nerivan Silva

Foto: Arquivo pessoal

No dia 15 de janeiro, data em que Maria Morais, de 81 anos, foi ordenada anciã na Igreja Adventista do Jardim Eldorado, em Palhoça (SC), o filho Joel fez questão de divulgar o fato em seu perfil numa mídia social, ressaltando as credenciais da mãe. Citando Salmo 92:13, 14, ele mostrou como a atuação dela foi e continua sendo frutífera. Ao longo de 60 anos de adventismo, a catarinense calcula que tenha ministrado 120 mil estudos bíblicos para mais de 50 mil pessoas e influenciado 2.350 delas ao batismo; ajudou a discipular mais de 1,3 mil líderes, plantou muitas congregações e até hoje lidera um clube de desbravadores. Essa dedicada e experiente missionária é a entrevistada desta edição.

Como a senhora vê a inclusão da mulher no ancionato da igreja?

Na minha trajetória como missionária, abri muitos pontos de pregação e novos grupos, alguns liderados exclusivamente por mulheres. O desenvolvimento da igreja não pode estar limitado às questões de gênero, raça ou cor. Por isso, vejo nessa decisão da igreja a manifestação da vontade de Deus num tempo de escassez de liderança comprometida.

A senhora foi separada pela imposição de mãos para exercer o ancionato. Como se sente?

Sinto-me feliz, útil e com mais liberdade de colocar minha opinião e defender diferentes interesses perante a liderança da igreja local.

Qual é sua motivação para atuar de maneira tão efetiva na igreja?

Fui freira ao longo de 15 anos. E, depois de ter sido curada por Deus de uma doença rara, fui chamada por Ele para a Igreja Adventista, onde me tornei obreira bíblica na década de 1980. Minha grande e real motivação é ver milhares de pessoas sendo ganhas para o lado da verdade. Tenho um prazer tremendo em ver o discipulado acontecendo, novos líderes surgindo e a igreja crescendo.

Em se tratando do ancionato, quais contribuições a senhora acha que as mulheres podem trazer à liderança espiritual?

Entendo que as mulheres estejam vindo para somar. Assim como os anciãos, as anciãs podem atuar diretamente na administração e organização da igreja, coordenando desde os trabalhos mais rotineiros, como elaborar escalas de pregação e delegar atividades, até funções mais técnicas, como ministrar treinamento aos departamentos. Elas têm total capacidade para isso.

De que maneira as mulheres podem contribuir para o reavivamento espiritual da igreja?

Penso que nossa primeira igreja é o nosso lar. Quando trabalhamos a vida espiritual da nossa família, nossa igreja se torna melhor. Por 35 anos trabalhei como obreira bíblica. Não era fácil para uma mulher que precisava dar conta da casa, dos cinco filhos, da responsabilidade como obreira bíblica e dos cargos que ocupava na igreja local. Mas, antes de sair para as atividades diárias, sempre ­procurei reunir meus filhos e realizar o culto familiar. Além de ser líderes do lar, as mulheres devem ser treinadas para a visitação e o pastoreio. Uma mulher dedicada a Deus terá sabedoria do Céu para lidar com as questões mais complexas, sempre trabalhando em sintonia com os planos da igreja local, do pastor e dos anciãos.

Que conselho a senhora daria às mulheres quanto ao uso de seus dons espirituais nas atividades da igreja?

O conselho que dou está em 1 Coríntios 12:22. Deus capacitou as mulheres com muitos dons. Nas igrejas em que elas colocam suas impressões digitais, o trabalho flui com mais delicadeza, a aparência da igreja é melhor e a doxologia e a organização são diferentes.

(Entrevista publicada na edição de março de 2022 da Revista Adventista)

Última atualização em 8 de março de 2022 por Márcio Tonetti.

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