Campo missionário

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A escolinha de futebol que tem contribuído para salvar crianças e adolescentes na periferia de Porto Alegre

Emanuele Fonseca

Projeto criado há quatro anos atende atualmente 15 meninos. Unir o esporte ao evangelismo foi uma forma de tirar crianças das ruas e apresentar a elas novas perspectivas. Foto: Emanuele Fonseca

O futebol desperta paixão nos brasileiros. Mas a questão não é apenas cultural. Em algumas comunidades, o esporte tem servido como ponte de oportunidades para crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social.

Rudineli Goulart, de 40 anos, nasceu em Capão da Canoa, no litoral norte gaúcho. Ele cresceu jogando futebol no bairro Zona Nova. Brincar de bola era uma válvula de escape. “Passei por uma infância difícil, pois minha mãe tinha problema com o alcoolismo. Eu encontrava refúgio na rua, no futebol, jogando bola descalço”, relata.

Aos 11 anos de idade, Rudineli começou a ter contato com a Igreja Adventista, sendo bastante influenciado por ministérios como o clube de desbravadores. Mas era um garoto rebelde. “Eu não respeitava ninguém, porque tudo que eu recebia em casa transmitia na escola e na igreja. Batia nos outros, brigava, gritava… Fui expulso três vezes da escola. Mas Deus teve paciência e misericórdia, foi me moldando aos pouquinhos e me transformou em um missionário”, destaca.

Desde 2012, ele tem se dedicado a ensinar a Bíblia em comunidades de Porto Alegre (RS). Ao visitar vários lugares como obreiro bíblico contratado pela Associação Sul-Rio-Grandense, Rudineli se depara com realidades parecidas com as que ele viveu na infância. É o caso da Vila Pedreira, na zona sul da capital gaúcha. “Trabalhando lá, via crianças na rua brincando de arminha, bandido e ladrão… Foi aí que eu ouvi uma voz dizendo: ‘Crie uma escolinha de futebol e estude a Bíblia com elas’. Então, consegui algumas bolas para colocar a ideia em prática. Mas antes fui jogar futebol com os traficantes do local. Fiz amizade com eles e pedi autorização para montar uma escolinha ali no bairro, na comunidade deles. E foi assim que tudo começou”, conta Rudineli, mais conhecido como Rudi.

A escolinha de futebol, chamada Futsalva, acontece todos os domingos, às 9h. Funciona assim: antes de entrarem em campo, as crianças e os adolescentes se encontram na Igreja Adventista da Pedreira e participam de um estudo bíblico. Depois, eles descem o morro até um parque, onde acontecem os treinos. “O futebol é uma oportunidade para tirar os meninos da rua. Os momentos que passamos juntos são alegres e amenizam um pouco a tristeza e a dor deles”, ressalta.

Adryan Soares, de 14 anos, foi convidado pelo primo para participar dos estudos bíblicos e treinos. “O Rudi não ensina só futebol pra gente, ele ensina também a Bíblia, nos incentiva a frequentar a igreja e mostra como Deus é bom”, ressalta o adolescente, lembrando que, às vezes, o treinador também leva o grupo para comer fora e conhecer a cidade.

O passo seguinte é abrir vagas para as meninas poderem participar da escolinha também. Isabela Oliveira, de 10 anos, começou a acompanhar o irmão aos domingos. A garota relata que ficou muito feliz quando o treinador disse que ela também poderia participar. Outro objetivo é levantar doações para a aquisição de uma Kombi que ajudará no transporte do grupo.

“Esse é um pouco do nosso projeto, da minha história. Por isso, o futebol é tão importante para mim; ver a alegria deles não tem preço. Eu vejo cada um como candidato ao reino dos Céus, vejo que é uma oportunidade de fazer a diferença na vida desses pequenos”, Rudi conclui.

EMANUELE FONSECA é jornalista e atua como assessora de comunicação da Associação Sul-Rio-Grandense

(Notícia publicada originalmente na Revista Adventista de março de 2022)

Última atualização em 24 de março de 2022 por Márcio Tonetti.

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