Atenção

Cuidado da família

2 minutos de leitura
As taxas de divórcio e de lares monoparentais entre os adventistas não são muito diferentes da sociedade em geral
Em pesquisa da sede mundial da igreja, 43% dos adventistas disseram que quase não têm contato com a Bíblia em família. Crédito da imagem: ThinkstockPhotos

O dia 15 de maio é importante. É a data em que a comunidade global lembra da célula básica da sociedade. Definido pela Organização das Nações Unidas (ONU), o tema anual para a celebração do Dia Internacional da Família, que ocorre há 25 anos, trata de questões como educação, bem-estar e inclusão. No entanto, apesar desses esforços, tenho visto que não têm caído as taxas de divórcio, famílias monoparentais e violência doméstica.

Como comunidade religiosa temos falado por meio da campanha Quebrando o Silêncio em favor dos que sofrem diversos tipos de abusos. Porém, não podemos enxergar esse projeto apenas como um slogan ou programa, mas uma atitude de protesto e participação em face da dor alheia. Na verdade, essa é uma forma de ecoar a voz profética de Deus registrada por autores do Antigo Testamento, como Isaías e Amós, os quais falaram em favor dos órfãos, das viúvas, dos estrangeiros e pobres.

Tenho orgulho do programa Quebrando o Silêncio, mas me preocupo com as famílias adventistas. Nossas taxas de divórcio e de lares monoparentais não são muito diferentes da sociedade em geral. Esses problemas não são apenas de nossos vizinhos. Em 2017, o departamento de Arquivos, Estatísticas e Pesquisa da sede mundial da igreja publicou alguns resultados, um estudo importante realizado em 2013 no território de nove Divisões da igreja. Das quase 25 mil pessoas entrevistadas, 17% declararam nunca fazer o culto familiar; 12% se reúnem para adorar a Deus em casa menos de uma vez por mês e outros 14% o fazem uma vez por semana. No total, 43% dos entrevistados disseram que quase não têm contato com a Bíblia em família. Os números sugerem que esse não seja um fenômeno regional, mas global.

Lembro-me de que, por causa das ocupações da vida, às vezes eu não conseguia chegar em casa antes que minhas três filhas fossem para a cama. Agradeço minha esposa por “manter a tocha” nesses momentos em nosso lar. Duas vezes ao dia nos reuníamos para passar tempo com Jesus em família. Não sou estatístico, e não sei se existe uma relação direta entre a irregularidade na realização do culto familiar e o risco de perda da próxima geração de adventistas. Contudo, como pastor e educador, sei que o tempo investido individual e coletivamente com a Palavra viva de Deus sempre traz restauração e nos aproxima do Pai e uns dos outros.

O culto familiar requer compromisso e criatividade. E precisa ser apropriado à idade dos nossos filhos. Não é um substituto para as conversas honestas nem o momento de “ganhar” uma discussão. É a hora de convidar o Espírito Santo a Se sentir em casa: em nosso coração, em nossos relacionamentos e no lar. Penso que o dia 15 de maio pode ser uma grande oportunidade de começar ou recomeçar a prática do culto familiar, fazendo desse momento uma bênção para nós e os outros.

GERALD KLINGBEIL é editor associado da revista Adventist World

(Artigo publicado na edição de maio de 2018 da Revista Adventista/Adventist World)

Última atualização em 27 de maio de 2019 por Márcio Tonetti.

Sobre Da redação

Da redação
Equipe RA

Veja Também

Documentário adventista

Produção aborda questões ligadas ao propósito da vida.