Do Piauí para a Guiné

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Grupo de universitários impacta duas comunidades em situação de vulnerabilidade

Ana Clara Silveira

Projetos de voluntariado possibilitaram a construção de cinco cisternas em São Raimundo Nonato (PI) e a reforma de uma escola em Guiné-Bissau. Foto: Guillermo Carbonell

Heloísa buscou fôlego para continuar. Seus braços estavam cansados e já sentia os pés formigando. O desafio de construir cisternas no interior do Piauí era bem maior do que tinha imaginado. O chão de terra batida, o calor escaldante e os recursos limitados eram o início da jornada de dez dias que enfrentaria. Mas não era isso que seus olhos enxergavam ou sequer seus pensamentos tangenciavam.

Logo na primeira experiência como voluntária, Heloísa, que estuda Pedagogia no UNASP, descobriu mais uma vocação: a de ser missionária. O encontro com o olhar de tantas crianças a fez enxergar um propósito. “Qualquer momento pode se tornar uma oportunidade de contribuir e tocar a vida de alguém”, conta.

O sonho de servir veio da infância, mas lhe faltaram oportunidades. Quando Heloísa conheceu o Núcleo de Missão, órgão do Centro Universitário Adventista de São Paulo que incentiva e promove a participação em projetos de voluntariado, entendeu que poderia ser útil. O convite para a missão despertou o desejo não apenas em Heloísa, mas em outros nove jovens de dedicarem tempo para ajudar a quem precisa em São Raimundo Nonato.

A cidade enfrenta longos períodos de seca, o que dificulta o acesso à água. Apesar da condição de vulnerabilidade social, a simplicidade dos moradores caminhava junto com a simpatia. Eles ofereciam o que tinham: olhar acolhedor, pão à mesa e palavras de gratidão.

Os dias de voluntariado passaram rapidamente. O grupo construiu cisternas com o apoio do instituto Luss, que já atua há anos para garantir qualidade de vida aos moradores daquela cidade. Cada cisterna comporta 16 mil litros de água e pode abastecer uma família de até seis pessoas por seis meses.

A experiência humanitária garantiu aos jovens uma certeza: eram necessários muito mais que dez dias de serviço. “Não podemos oferecer menos que uma vida em missão”, foram as palavras do líder Rafael Viana. Por isso, o retorno às atividades comuns e estudantis não diminuiu os esforços para angariar recursos que serão direcionados para esse e outros projetos.

DO OUTRO LADO DO ATLÂNTICO

Em Guiné-Bissau (África), o sentimento dos voluntários era o mesmo. As crianças corriam livremente, mas paravam ao ouvir a voz de Isabela Vitória. A estudante de Jornalismo do UNASP sabia que aquela experiência poderia ser a oportunidade que a comunidade da Ilha de Bubaque teria de aprender mais sobre o Criador. “Me deparei com a urgência de que o evangelho precisa ser pregado e desejei a volta de Jesus como nunca antes”, relata.

As noites eram uma celebração. As histórias contadas em crioulo, língua nativa da ilha, traziam mais perto o Jesus que eles conheciam. Os moradores também tinham outras necessidades e, por isso, os voluntários pintaram paredes, ajudaram na reforma de uma escola e reuniram grupos de estudo da Bíblia. Cada ação buscava trazer segurança e a tranquilidade de dias melhores.

A equipe foi conduzida pelo pastor Caio Conceição, que também lidera o Núcleo de Missão. Sua larga experiência o fazia enxergar as particularidades daquele povo na expectativa de atendê-lo da melhor maneira. Cada quilômetro que caminhavam tinha um objetivo: amparar. O país, por vezes esquecido, foi escolhido por oferecer poucas condições de educação e saúde. Perto ou longe, a missão diminui essas diferenças.

ANA CLARA SILVEIRA é jornalista e atua como assessora de comunicação do Centro Universitário Adventista de São Paulo (UNASP)

(Notícia publicada originalmente na Revista Adventista de março de 2022)

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