Identidade profética

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Depois de 20 anos, Unaspress completa a tradução de coleção teológica sobre o santuário e as profecias apocalípticas

Foto: Divulgação / Unaspress

Quem são os adventistas do sétimo dia?” Talvez você já tenha sido questionado com essa pergunta. Uma resposta comum é a que passa pelo nosso próprio nome: (1) cremos no segundo advento de Cristo; e (2) observamos o mandamento bíblico sobre o sábado. Responder dessa maneira está correto, pois carregamos em nosso nome dois pilares de nossa teologia. Porém, essa questão pode ser aprofundada.

Nossa crença profética foi responsável pela gênese e identidade do adventismo após o grande desapontamento de 22 de outubro de 1844. Por essa razão, buscar a correta interpretação de todas as profecias bíblicas está em nosso DNA. E não é de hoje que nos debruçamos sobre textos, a fim de entender a mensagem revelada por Deus.

Entretanto, na década de 1970, alguns teólogos questionaram a clássica interpretação adventista da crença fundamental sobre o juízo investigativo. A argumentação era de que essa doutrina não poderia ser defendida exclusivamente ou diretamente na Bíblia. Tal pensamento repercutiu em várias partes do mundo, levando milhares de adventistas a se desligarem da denominação. Afinal, se nossa fé não está baseada em algo sólido, o que resta?

Dada a importância da temática para a fé adventista, em 1979, após uma palestra do professor de teologia Desmond Ford (um dos líderes dessa reinterpretação da visão escatológica), a liderança da igreja pediu que ele preparasse um material explicativo sobre seus estudos. Depois que o material foi entregue, um comitê foi formado para responder ao seu questionamento.

Um lição que fica é que não podemos temer questionar nossos fundamentos, porque, se eles forem realmente sólidos, isso será reiterado após testes. Entretanto, se eles forem frágeis, caberá a cada um ficar apenas com o que está fundamentado na Palavra de Deus. Assim, em 1980, 114 teólogos e administradores revisaram as ideias do teólogo australiano Desmond Ford. Depois de cuidadosa análise acadêmica e teológica, o resultado inicial foi rejeitar as ideias dele. Porém, a igreja notou que era preciso ir além (saiba mais aqui).

Com a mediação do Instituto de Pesquisa Bíblica (BRI, na sigla em inglês) da sede mundial adventista, foi organizado o Comitê de Estudos em Daniel e Apocalipse (Darcom, em inglês). O Darcom não apenas reestudou temas relativos ao juízo investigativo, mas expandiu suas análises para tópicos como o santuário e a interpretação de profecias dos livros de Daniel e Apocalipse.

A pesquisa durou mais de uma década, originando as quase 2,5 mil páginas da coleção Santuário e Profecias Apocalípticas. Para organizar essa obra foi convidado o então diretor associado do BRI, o teólogo Frank B. Holbrook. Em 2001, a coleção começou a ser publicada em português pela Unaspress. Agora, 20 anos depois, a coleção finalmente está completa: os livros inéditos foram traduzidos e os antigos foram reeditados. Felizmente, porque essas obras são consideradas por muitos teólogos um marco para os estudos bíblicos e a identidade profética do adventismo.


TRECHO

“Há uma estrutura mais significativa que mantém unido o quadro de verdades bíblicas ensinadas pela Igreja Adventista do Sétimo Dia: a compreensão das profecias de Daniel e Apocalipse. Nelas, os adventistas encontraram sua identidade, tempo e tarefa” (Estudos Selecionados em Interpretação Profética, v. 1, p. 10).

RODRIGO FOLLIS é pastor, publicitário, doutor em Ciências da Religião e editor-chefe da Unaspress; THAMIRES MATTOS é jornalista, mestra em Divulgação Científica e Cultural e analista editorial da Unaspress

(Resenha publicada na edição de dezembro de 2021 da Revista Adventista)

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