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Impacto ambiental

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Estudo revela que a redução do consumo de carne é importante no combate ao aquecimento global

Larry Becker
Dietas sem carne ganham espaço na academia e na mídia, mas ainda são pouco acessíveis para os mais pobres. Foto: Sven Scheuermeier

A transição para uma dieta vegetariana em nível global resultaria em impactos significativos na batalha contra o aquecimento global. É o que indicam estudos realizados na Universidade de Loma Linda, na Califórnia (EUA).

Segundo pesquisas conduzidas no mais importante centro adventista de estudos da saúde, a produção de alimentos é um dos grandes vilões no aumento da emissão dos gases que provocam o efeito estufa, pois consome 70% da água doce e é responsável por 80% do desmatamento do planeta.

Portanto, melhorar a tecnologia ­agrícola e reduzir os resíduos alimentares são parte da solução potencial desse problema ambiental. Quem tem pesquisado essa questão é Joan Sabaté. Natural da Espanha, ele é professor de nutrição e epidemiologia da Escola de Saúde Pública da Universidade de Loma Linda. Os estudos de Sabaté têm apontado que mudanças nos padrões alimentares resultariam num efeito positivo muito maior para a sustentabilidade.

Num levantamento intitulado “Dietas Vegetarianas: Saúde Planetária e seu Alinhamento com a Saúde da Humanidade”, Joan Sabaté e a pesquisadora Ujué Fresán, do Instituto de Saúde Pública e do Trabalho de Navarra (Espanha), apresentaram uma meta-análise de 49 estudos de pesquisas do impacto da dieta no meio ambiente. O levantamento, publicado em novembro numa revista da Sociedade Americana de Nutrição, aponta que o regime vegano (- 50%) e o ovolactovegetariano (- 35%) representam reduções significativas na emissão de carbono em relação à dieta onívora.

“Muitos outros estudos demonstraram claramente as vantagens das dietas vegetarianas e veganas para a saúde. Essa análise confirma que a mudança para esses tipos de dietas também é considerável do ponto de vista ecológico”, disse Joan Sabaté.

Ele, que dirige o programa de pesquisa em nutrição ambiental na Universidade de Loma Linda, é também o organizador do livro Environmental Nutrition: Connecting Health and Nutrition with Environmentally Sustainable Diets (Academic Press, 2019), que trata exatamente da relação entre dieta e meio ambiente. Sabaté e mais outros pesquisadores da mesma universidade já publicaram mais de 30 trabalhos sobre a conexão entre escolhas alimentares, sustentabilidade e a saúde da população.

Porém, ele acredita que as pesquisas nessa área estejam ainda apenas na “infância”. O cientista destaca que falta estudar, por exemplo, como certos métodos agrícolas impactam mais ou menos no meio ambiente em países de baixa e média rendas. E que impacto teriam também as produções de alimentos em larga escala e as que funcionam no modelo de produção familiar e de subsistência.

“Em sociedades onde o consumo diário de carne é a norma social, reduzir drasticamente o consumo desse item é um grande desafio. E, nos países de baixa e média renda, eliminar a carne da dieta poderia afetar negativamente a saúde de boa parte da população”, avalia Sabaté. Enquanto isso, a causa do veganismo ganha visibilidade entre artistas e influenciadores. No início do ano, dois grandes prêmios da indústria do entretenimento, o Globo de Ouro e o Prêmio do Sindicato dos Atores, optaram por um menu sem carne no banquete da celebração.

LARRY BECKER é o diretor de relações públicas da Universidade de Loma Linda (EUA)

(Texto publicado na edição de maio de 2020 da Revista Adventista / Adventist  World)

Última atualização em 29 de maio de 2020 por Márcio Tonetti.

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