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Quem precisa de educação?

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Livro discute o tipo de ensino ideal para as escolas da igreja

F_,_ensino_e_religi_oA maioria das pessoas, por certo, reconhece a importância da educação. Porém, que tipo de educação deveríamos propor para uma juventude cada vez mais conectada, dispersa e que não gosta da escola? Parece que existe um grande coro de teóricos que considera ser preciso transformar os processos educacionais para, então, alcançar uma sociedade mais humana e justa.

Aqui um punhado de clichês exemplifica a questão: Existe injustiça no mundo? A educação resolve. Há falta de ética e de moral? Vamos educar os jovens. Muitos políticos são corruptos? Eduque o povo. Não temos razão para discordar dessas respostas. Contudo, que tipo de educação seria a melhor para resolver esses problemas e tantos outros?

Essa é a discussão que o Manual do Educador: Princípios para Integrar a Fé e o Ensino-Aprendizagem (Unaspress, 2015) traz para este importante momento de renovação de conceitos sobre o ato de educar. O livro foi escrito por mais de 30 mestres e doutores com ampla experiência em sala de aula, como os professores Renato Gross, Adolfo S. Suárez, José Iran Miguel e Milton L. Torres.

Com temas abrangentes, a obra atende do ensino infantil à universidade, sendo dividida em cinco partes: (1) Fundamentos, em que se procura construir bases bíblicas, históricas e teológicas para o estilo de vida adventista, apresentando como podemos entender o processo de ensino-aprendizagem; (2) Diálogo, que inclui discussões sobre os principais temas atuais a ser entendidos por meio da teologia educacional, como o uso (ou não) da literatura secular, o ensino de história em suas complicações evolucionistas e a participação da arte na educação; (3) Atores, um enfoque nos principais participantes do ambiente educacional, em que a discussão é sobre o papel do administrador escolar, do professor, dos pais, servidores e estudantes dentro do processo de ensino-aprendizagem; (4) Ferramentas, em que os autores se propõem a pensar como as tecnologias, incluindo a TV, a internet e as demais criações da ciência, poderiam servir de instrumentos educacionais; e (5) Resultados, em que aparecem duas interessantes histórias sobre como a educação adventista transforma alunos e professores.

A educação vista na maior parte das escolas não consegue responder adequadamente às demandas reais da sociedade

Os artigos foram frutos do I Simpósio Unasp da Confessionalidade Adventista, ocorrido em 2013 no Unasp, campus Hortolândia, evento que contou com palestras e debates. Depois de muitas revisões, os textos finalmente foram publicados. Isso permitiu grande unidade de pensamento, indicando que a educação de grande parte das escolas não responde adequadamente às demandas da sociedade. E por que isso ocorre? Simples: viramos especialistas em formar jovens para o mercado, o que o livro chama de “preparo técnico-profissional e acadêmico”. Assim, não será qualquer educação a resposta para a sociedade com a qual sonhamos.

O Manual do Educador ressalta em seu prefácio que não é errado querer um bom emprego, aprender uma profissão ou preparar-se para o vestibular. O que se faz preciso é uma educação que, junto com essas coisas, busque uma visão mais ampla, que vá além dos fatores econômicos e produza um ser humano integral – cuidando dos seus aspectos físicos, morais, sociais, intelectuais e espirituais. Só assim teremos o que Ellen White define como uma educação “tão alta como o céu e tão extensa como o Universo” (Educação, p. 19).

Apesar de se intitular um manual e discutir muitos temas relevantes, o livro não responde a todas as dúvidas. O objetivo principal foi criar fundamentos para que não percamos de vista os trilhos corretos que precisam nos guiar rumo a uma educação eficiente e bíblica, usada nas escolas ou em igrejas. Não apenas educadores serão grandemente motivados em sua missão, mas pais, alunos e pastores terão um importante compêndio para caminhar rumo à sociedade com a qual sonhamos.

TRECHO

“Entendemos que não é um logotipo na porta que torna as instituições adventistas diferentes. Precisamos mostrar à sociedade qual é nosso diferencial. Precisamos lembrar da nossa história, da nossa origem. Precisamos estar certos da nossa identidade”

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RODRIGO FOLLIS é pastor, professor no Unasp e editor-chefe da Unaspress

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Última atualização em 16 de outubro de 2017 por Márcio Tonetti.

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