Recuperação da aprendizagem

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Professor compartilha anseios experimentados durante a quarentena e desafios das escolas no retorno às aulas presenciais

Thiago Basílio

Rudson Carlos da Silva Jovano, professor de Matemática no Colégio Adventista de Ji-Paraná (RO). Foto: Emerson Soares

Com o avanço da vacinação, o retorno às aulas presenciais foi devolvendo certa “normalidade” às escolas. Mas os impactos da pandemia na educação ainda estão longe de ser atenuados. Nesse contexto, talvez os formandos do ensino médio tenham sido os mais prejudicados, pois acumularam significativas perdas de aprendizagem, já com impacto imediato na entrada deles na universidade e no mercado de trabalho.

Um relatório divulgado pelo Instituto Itaú-Unibanco em maio, a partir de uma simulação com base nos dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), apontou que a “paralisação” das aulas presenciais em 2020 representou a perda de 50% da aprendizagem de Português e Matémática e um prejuízo de 20 a 40 mil reais de renda ao longo da vida profissional dos alunos da rede pública.

No meio disso tudo, os professores se desdobraram e assumiram papel fundamental para minimizar tais problemas. Foi o caso de Rudson Carlos da Silva Jovano, que leciona Matemática no Colégio Adventista de Ji-Paraná (RO). No mês em que se comemora o Dia do Professor (15 de outubro), ele compartilhou com a gente os principais desafios enfrentados durante a quarentena e o que esperar da educação pós-pandemia.

Como foi passar por essa fase turbulenta que, ao que parece, está começando a ser superada?

Bom, sair da zona de conforto foi necessário. De forma rápida, mas cuidadosa, tive que rever a didática que aplicava em sala de aula para o modelo remoto. Portanto, tudo isso trouxe algumas preocupações quanto ao meu desempenho docente. Porém, o que mais me motivou a superar meus medos foi o desejo de fazer com que os alunos aprendessem de forma eficaz.

O que você tem feito para compensar o déficit de aprendizagem dos alunos?

Ofereci um ótimo acolhimento, verifiquei o conhecimento prévio de cada aluno, apliquei uma prova diagnóstica e depois enfatizei as competências e habilidades que meus alunos teriam que ter desenvolvido em 2020. Com base nesse conjunto de informações, iniciei o processo de recuperação de habilidades e constatei que algumas delas não haviam sido atendidas. Por isso, alterei minha didática conforme a necessidade de cada turma e retomei alguns ­conteúdos essenciais para nivelar os ­estudantes.

Você acha que a experiência de quarentena contribuiu para que as famílias valorizassem mais o trabalho do professor?

No ensino remoto, o cuidado quanto ao aprendizado dos filhos foi dividido com os pais. Isso levou muitas famílias a acompanhar mais de perto o desempenho estudantil dos filhos e a reconhecer a importância do professor na vida social dos estudantes. Agora, no contexto do ensino híbrido, percebemos que estamos sendo mais valorizados pelos pais e que o diálogo tem sido contínuo.

Que lições você levará desse período tão inesperado?

A necessidade de incorporar melhor a tecnologia no ensino e de compreender algumas tendências. Além disso, precisamos urgentemente dar significado e aplicabilidade prática para o conteúdo explanado, deixando claro quais competências e habilidades estão sendo abordadas.

E o que esperar da educação póspandemia?

Eu espero uma educação humanizada. Acredito que nós, educadores, estamos saindo mais fortes dessa crise, com uma noção mais clara de nossas debilidades e com a convicção de que precisamos buscar formação continuada. A participação das famílias será fundamental nesse processo. E, como rede educacional adventista, vamos ter que trabalhar em conjunto nessa jornada para alcançar uma ­formação verdadeiramente completa.

(Entrevista publicada originalmente na Revista Adventista de outubro de 2021)

Última atualização em 15 de outubro de 2021 por Márcio Tonetti.

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