Trabalho híbrido

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O que empresas e colaboradores devem considerar no cenário pós-pandemia

Derson Lopes Jr.

Ilustração: Adobe Stock

A pandemia de Covid-19 obrigou muitas organizações a adotar o modelo remoto de trabalho. Uma pesquisa com mais de 1.100 trabalhadores revelou que 59% deles tiveram sua primeira experiência com home office nesse período.

A pergunta que surge agora é: Como será o trabalho pós-pandemia? A ideia de abandonar os escritórios não é nova e já foi defendida na década passada. Porém, as empresas parecem caminhar para um modelo híbrido, que conjugue diferentes estruturas nas organizações.

A escolha da modalidade ideal é mais complexa do que parece e exige análise cuidadosa. A seguir comentamos cinco tópicos para reflexão que podem auxiliar na tomada de decisão assertiva para garantir alcance de resultados, realização e satisfação no trabalho.

LOCAL DE TRABALHO

A opção de não ter um escritório fixo não se aplica a todas as situações. Indústrias, restaurantes e escolas básicas, por exemplo, ainda precisarão de uma sede. Para certos segmentos, a infraestrutura necessária demanda espaço e alto investimento, o que pode tornar inviável espalhar os colaboradores. Por outro lado, para quem pode trabalhar independentemente dessa infraestrutura, o céu é o limite.

FLEXIBILIDADE DE HORÁRIO

O horário flexível tem se tornado uma necessidade, mas não uma unanimidade. No setor de tecnologia, por exemplo, a escassez de profissionais tem obrigado a contratação de técnicos em diferentes países do mundo, o que exige a adoção de jornadas de trabalho flexíveis. Em contrapartida, atividades como atendimento ao cliente, serviços bancários e alimentação ainda demandam um horário específico.

CONFIDENCIALIDADE DAS INFORMAÇÕES

Algumas empresas adotam o trabalho remoto para aumentar a capilaridade e diversidade de seu time. Contudo, quando as informações relacionadas ao trabalho são sigilosas, o modelo presencial se torna uma alternativa mais segura. A Apple, por exemplo, apesar de ser um dos ícones da revolução tecnológica, já está promovendo a volta para os escritórios, alegando que seria difícil manter a confidencialidade de seus lançamentos com colaboradores espalhados em diferentes locais.

COMUNICAÇÃO E COLABORAÇÃO

Diversas ferramentas foram criadas ou aprimoradas durante a pandemia para viabilizar a comunicação assertiva e a colaboração das equipes. Apesar disso, alguns líderes notaram que a capacidade de criação e integração de seus times foi bastante comprometida a distância. Em alguns contextos, principalmente quando há necessidade de troca de ideias constante, o modelo presencial pode ser ainda o mais recomendado.

PERFIL DOS COLABORADORES

Alguns estão vibrando com o modelo remoto, outros contando as horas para voltar ao escritório. Não apenas os perfis profissionais, mas a realidade das pessoas também pesa nessa decisão. Uma coisa é possuir um espaço confortável e definido para o trabalho, outra bem diferente é dividir poucos metros quadrados com várias pessoas, inclusive crianças pequenas. Nesse contexto, não existe uma decisão certa ou errada, mas a modalidade mais adequada à realidade de cada um.

DERSON LOPES JR. é doutor em Administração pela Unicamp, VP de Pesquisa na Aspectum, coordenador de Pós-Graduação na Faama e autor do workshop Remote Leadership

Fontes: e-book Desafios Profissionais em Tempos de Covid-19 (Unaspress, 2021, 93 p.), de Cristina Zukowsky Tavares, Derson Lopes Jr. e Thiago da Silva Gusmão Cardoso; livro Remote: Office Not Required (Currency, 2013), de D. Hansson e J. Fried; artigo “Como Fazer Híbrido Direito”, de L. Gratton, na Harvard Business Review de maio-junho de 2021.

(Versão atualizada do texto publicado na edição de agosto de 2021 da Revista Adventista)

Última atualização em 11 de outubro de 2021 por Márcio Tonetti.

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