Atenção

Não é o fim

2 minutos de leitura
Entenda a diferença entre os sinais gerais e o sinal decisivo da proximidade da volta de Jesus
ERTON KÖHLER
O fim não virá pela gravidade da crise, mas pelo aumento da esperança; nem será definido pelo crescimento do mal, mas pelas oportunidades. Foto: Adobe Stock

Ao ler o título deste artigo você pode imaginar que estou enfraquecendo nossa esperança ou subestimando o significado profético da pandemia da Covid-19, mas este não é meu objetivo.

Não tenho dúvidas de que a crise atual é gravíssima e tem uma relação direta com a volta de Jesus, mas ela não é o ponto final da história. É preciso deixar de lado as muitas vozes que interpretam os eventos finais com base na percepção, e estudar mais profundamente a Bíblia em busca da verdadeira explicação. Apenas ela pode livrar do engano, medo e alarmismo.

O capítulo 24 de Mateus é esclarecedor. Nele há muitas informações sobre o tempo e os sinais da segunda vinda. São ensinos apresentados pelo próprio Cristo, “Aquele que era, que é e que há de vir” (Ap 4:8). Sua reposta aos discípulos começa com uma lista de sinais gerais e termina com aquele que deverá ser o sinal iminente de Sua vinda (Mt 24:3-14). Os sinais gerais são apenas indicativos. Sempre aconteceram, mas se intensificarão perto do fim. Já o sinal iminente demonstrará que o fim realmente chegou. Ele é definitivo. É importante acompanhar os sinais gerais, mas manter o foco no sinal iminente.

A lista dos sinais gerais começa alertando contra o engano, mas em seguida apresenta um dos maiores medos da humanidade: “guerras e rumores de guerras”. Lembra, porém, que “ainda não é o fim” (v. 6). Também haverá fome, pestes e terremotos, mas “tudo isto é o princípio das dores” (v. 8). Jesus ainda fala de tribulação, perseguição religiosa, escândalo, traição, ódio, falsos profetas, aumento da iniquidade e falta de amor. Apenas aquele que “perseverar até o fim, esse será salvo” (v. 13). Três vezes Jesus mostra que os sinais gerais não são finais. Eles são apenas um processo de alerta.

O sinal iminente do fim é apresentado em Mateus 24:14: “E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então virá o fim.” Ficou claro? O fim não virá pela gravidade da crise, mas pelo aumento da esperança; nem será definido pelo crescimento do mal, mas pelas oportunidades de Deus. Ellen White é assertiva: “Dando o evangelho ao mundo, está em nosso poder apressar a volta de nosso Senhor” (O Desejado de Todas as Nações, p. 633). Por isso, quem ama a volta de Cristo prega o evangelho, busca o poder do Espírito Santo, vence a vergonha ou acomodação e se levanta para testemunhar. Não espalha uma mensagem de condenação e medo, mas um convite de esperança e salvação. Afinal, condenação é uma consequência da rejeição e nunca o objetivo principal da mensagem bíblica.

O “evangelho do reino” é a volta de Jesus, e o convite para sua proclamação está nas mãos de um povo que nasceu pregando Sua vinda e sofreu por ela, que carrega essa mensagem em seu nome e no centro de suas crenças fundamentais. É um chamado especial para cada adventista do sétimo dia.

Não podemos perder o foco. É importante conhecer os detalhes da Covid-19 e suas consequências, estudar sobre tragédias, catástrofes e outros sinais gerais, mas sem que isso se torne mais importante do que a pregação do evangelho. Apenas quando colocarmos todo o coração no cumprimento da missão a história de dor e sofrimento deste mundo terá seu ponto final.

ERTON KÖHLER é presidente da Igreja Adventista para a América do Sul

(Texto publicado na seção Bússola da edição de maio de 2020 da Revista Adventista)

Última atualização em 26 de maio de 2020 por Márcio Tonetti.

Sobre Erton Köhler

Erton Köhler
Presidente da Igreja Adventista para a América do Sul

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