Atenção

Preparo intencional

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A orientação espiritual dos filhos começa cedo e dura a vida inteira

Erton Köhler

Foto: Adobe Stock

Deus não joga dados”, disse alguém para demonstrar que o acaso não existe. Na formação da família, o acaso realmente não funciona. No quebra-cabeças dos relacionamentos, as peças não se encaixam sozinhas. Elas precisam ser cuidadosamente colocadas. Se não for assim, o resultado será frustração, decepção e revolta. Este princípio vale para todos os aspectos da família, mas é fundamental para as questões espirituais (Sl 127:1).

O sacerdote Eli é um triste exemplo dessa realidade. Apesar de sua dedicação ao templo, ele descuidou-se da família. Enquanto isso, a mãe do pequeno Samuel, que crescia na própria casa do sacerdote, investiu na educação espiritual de seu filho. O resultado não poderia ter sido diferente: Samuel se tornou um jovem fiel e foi escolhido como mensageiro de Deus; já os filhos de Eli perderam o respeito pelas coisas sagradas, trouxeram desgosto ao pai e vergonha ao povo. A história poderia ter sido bem diferente se Eli tivesse assumido sua responsabilidade, sem deixar ao acaso a formação espiritual dos filhos.

É preciso transmitir os valores espirituais de maneira intencional. Quando isso não acontece, a família termina em crise. Os pais precisam ter “um senso da solenidade e santidade de sua tarefa”, pois uma atitude descuidada irá “desencaminhar seus filhos” (E Recebereis Poder, p. 138).

Quando minha filha ainda era bebê, chorava muito durante a noite, e eu dormia mal. Conversando sobre a situação com um colega de ministério, ele me disse algo que nunca esqueci: “Não se preocupe! Minha filha tem 22 anos e eu durmo mal até hoje.” O recado foi claro: a educação e a salvação de nossos filhos são uma obra para toda a vida. Ellen White lembra que os pais “jamais são desobrigados do encargo de educar e preparar os filhos para Deus”, uma obra que começa “antes do nascimento” deles (Signs of the Times, 9 de abril de 1896).

Educação de qualidade começa dentro de casa, mas seus efeitos são sentidos dentro da igreja, que trabalha sobre a base espiritual que os pais já construíram. Por maior que seja o esforço, inovação e envolvimento, pouco será modificado. Por isso, antes de preparar uma igreja melhor para nossos filhos precisamos preparar melhor nossos filhos para a igreja.

Nessa grande obra, os pais são a referência. Eles precisam de palavras sábias, mas muito mais de exemplos concretos. Devem ser convidados para ir à igreja, estudar a Bíblia, orar e ler literatura cristã. Se esse não for o hábito dos pais, o processo estará comprometido.

Apesar de todo o esforço, alguns filhos podem acabar esfriando na fé, alimentando sentimentos de revolta ou seguindo influências que os levam para longe de Deus. O importante é não se conformar “enquanto eles estão frios e indiferentes” (Orientação da Criança, p. 558). Se a base espiritual for sólida, os pais poderão confiar na semente plantada e nos milagres de Deus. Felizmente, muitos retornarão.

Para ajudar nessa tarefa, o movimento dos 10 Dias de Oração deste ano, que ocorrerá de 18 a 27 de fevereiro, terá seu foco na família. Manter uma base sólida espiritualmente ou enfrentar as crises de relacionamento expostas pelo longo tempo de pandemia só será possível se buscarmos mais intensamente o Senhor. Só assim teremos famílias fiéis até o fim, e a formação espiritual dos filhos não será deixada ao acaso.

ERTON KÖHLER é presidente da Igreja Adventista para a América do Sul

(Artigo publicado na seção Bússola da edição de fevereiro de 2021 da Revista Adventista)

Última atualização em 23 de fevereiro de 2021 por Márcio Tonetti.

Sobre Erton Köhler

Erton Köhler
Presidente da Igreja Adventista para a América do Sul

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