Desbravadora do espaço

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Geóloga adventista fala sobre a experiência de participar da recente missão para explorar o solo de Marte

GLAUBER S. ARAÚJO

Foto: reprodução do site da Adventist Review

Depois de oito anos de pesquisas, preparo e um investimento de 2,7 bilhões de dólares, a sonda Perseverance pousou em Marte no mês passado. As primeiras fotos enviadas de lá revelaram mais detalhes do local em que os cientistas buscam encontrar sinais de vida. Analisar essas imagens e extrair delas informações sobre a superfície do planeta vermelho é uma das principais funções da doutora Aileen Yingst, geóloga planetária adventista que trabalha para a Nasa. Confira a entrevista que ela gentilmente nos concedeu por e-mail.

Como se envolveu na missão Perseverance?

Há poucas vagas disponíveis nessas missões espaciais; por isso, me sinto muito abençoada em poder participar de algumas delas. Em uma missão desse tipo, interajo com muitas pessoas. Creio que estou ali para poder testemunhar àquelas pessoas.

Em quais projetos está envolvida atualmente?

Há alguns anos, atuo como investigadora adjunta da câmera Mahli, que foi acoplada ao Curiosity, astromóvel que há nove anos explora uma cratera em Marte. Além de também ser coinvestigadora do instrumento Sherloc/Watson, acoplado à sonda Perseverance, estou envolvida na missão Dragonfly, cujo objetivo é alcançar uma das luas de Saturno, e sou a principal investigadora do sistema de câmeras Heimdall, projetado para o módulo lunar previsto para ser lançado no fim de 2022.

O que a superfície rochosa de Marte pode revelar sobre esse planeta?

Um grão de areia possui cor, forma, tamanho e textura específicos. Cada uma dessas feições foi influenciada pelo histórico ou característica daquele grão, seja sua composição, processo de formação ou histórico de locomoção. Se conseguirmos identificar essas informações e analisá-las no seu contexto, poderemos conhecer a história que esses grãos de areia e essas rochas têm para nos contar.

A senhora vislumbra pessoas vivendo em Marte no futuro?

Sim! Na verdade, em termos de tecnologia, já temos quase tudo que precisamos para viver lá. A questão é mais se os governos atuais acham que isso deva ser uma prioridade para direcionar recursos e investimentos.

Se os cientistas encontrarem evidência de que já houve vida em Marte, como isso afetará nossa forma de compreender a criação?

Quem sabe um teólogo poderia responder melhor essa questão. O que posso dizer é que, se percebo algum conflito entre o que o livro da natureza e a Bíblia estão me mostrando, devo sempre presumir que o equívoco se encontra em minha forma de compreender uma ou outra, ou mesmo ambas as fontes de informação.

Por que há tanto interesse em encontrar vida em outros planetas?

Tenho a impressão de que os cientistas (e as pessoas em geral) procuram por vida extraterrestre porque querem saber se estamos sozinhos no Universo. Para ser honesta, nunca fui tão motivada por essa questão quanto outros cientistas, pois sempre presumi que existe vida lá fora.

A senhora lidera um clube de desbravadores. Como é possível despertar o interesse das novas gerações pela ciência?

Primeiro, reconhecendo e ajudando nossos jovens a compreender que o rigor científico é uma busca por fatos através de experiências e observações cuidadosas e objetivas. Assim fazendo, teremos muito em comum com a forma como os pioneiros de nossa igreja lidavam com a teologia. Em segundo lugar, precisamos deixar de ver os cientistas como inimigos, pois, se agirmos dessa forma, eles abandonarão esse caminho.

(Entrevista publicada na Revista Adventista de abril de 2021)

Sobre Glauber S. Araújo

Glauber S. Araújo
Mestre em Ciências da Religião, é pastor e editor da Casa Publicadora Brasileira. Além da teologia, se interessa pela física, astronomia e cosmologia.

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