No tom certo

2 minutos de leitura
Encontro de músicos ressalta a importância de ter um louvor congregacional mais significativo

Foto: Lightstock

Cena 1: Noite de ensaio para o Ministério Vocal e Banda Semear, da Igreja Adventista do Centro Nipônico, em Belém (PA). Havia um nervosismo no ar, pois o grupo ministraria o louvor no sábado seguinte. Depois de ajustar microfones e instrumentos, 14 jovens profissionais de diversas áreas, incluindo médico, publicitário, enfermeiro, administradores, dentistas, professores e outros, se ajoelham para orar e implorar pelo poder do Espírito Santo. O ensaio se estendeu com leituras bíblicas e mais orações.

Cena 2: Igreja Adventista da Providência. O Ministério Semear acaba de chegar. Porém, antes de entrar para dirigir o louvor, os jovens dedicam-se uma vez mais à oração. No auditório está Kleber Salgado, que, após o sermão, revela: “Há anos estou distante de Deus. Mas eu quero retornar. Foi durante o louvor que Deus me tocou.” Meses depois, Kleber convida o Vocal e Banda para seu batismo. Ele pediu que cantassem “Cercou Meu Coração”. Hoje Kleber é líder de louvor na igreja e dirige o ministério de música com um propósito: transformar vidas.

Eu vi

Se para o ministério de música o verbo mais importante é salvar, o substantivo que o acompanha é a intencionalidade. Durante o culto acontecem os maiores espetáculos da fé cristã, que é a experiência da salvação, o espetáculo da graça. A moldura bíblica de culto, a partir do que experimentou o profeta Isaías (capítulo 6), traz reflexões.

Há um crescendo na trajetória da adoração: “Eu vi o Senhor” (v. 1). Depois, o senso de reverência (v. 2), a expressão de louvor (v. 3), aceitação divina (v. 4), a confissão (v. 5) e o perdão (v. 6, 7) preparam o adorador para “ouvir a voz do Senhor” (v. 8a). A adoração só se completa quando a congregação responde: “Eis-me aqui, envia-me a mim” (v. 8b).

Por isso, nesse contexto, a liturgia não pode ser vista como uma “sequência” de partes, mas o preparo do adorador para que ele veja, sinta, reconheça, se expresse, ouça e responda ao Deus Criador.

Como disse recentemente Daniel Oscar Plenc, professor na Faama, no Pará, “na igreja, a música é serva da liturgia; e a liturgia, serva da teologia e da missão da igreja”.

Gestão

Na oficina “Ministério de Música”, durante o 21º Encontro de Músicos, realizado nos dias 13 a 17 de janeiro no Unasp, campus Engenheiro Coelho (SP), a gestão do louvor para uma intencionalidade foi muito debatida. O louvor deve ser organizado pensando nos adoradores, ávidos por um encontro com Deus. Tudo precisa ter um sentido: a recepção, o louvor, o sermão, as pessoas. Participaram da classe 19 jovens, sendo oito pastores, diretores de música dos estados da Bahia, Sergipe, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro.
O líder do louvor que ora terá mais sensibilidade para conduzir a igreja na experiência da adoração significativa. Assim, antes de propor um “roteiro” de hinos, ele “sente” as necessidades espirituais da congregação. Dessa forma, cada letra, cada melodia fará sentido para o viajor cansado, o enlutado que chora, o ferido que implora por unguento. Numa atmosfera de adoração em que o Espírito Santo conduz a gestão, cada culto sempre será um espetáculo da graça de Deus. Experimente! [Foto: Lightstock]

Box-No-tom-certo-5-dicas

Jael Eneas é diretor de desenvolvimento espiritual no Unasp, campus Hortolândia (SP)

LEIA TAMBÉM

Músicos segundo o coração de Deus

Última atualização em 16 de outubro de 2017 por Márcio Tonetti.

Sobre Jael Eneas

Jael Eneas
Diretor de desenvolvimento espiritual no Unasp, campus Hortolândia (SP)

Veja Também

Cátedra (re)visitada

Na educação adventista, a autonomia acadêmica é serva da Palavra de Deus.