Grito de alerta

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Campanha une voluntários de todo o Brasil em ações contra o abuso sexual
Passeatas marcaram a campanha Quebrando o Silêncio no Rio de Janeiro. Foto: Liziane Possmoser

Empresas de transporte coletivo da região metropolitana de São Paulo se uniram nesta semana em favor de uma campanha promovida pelo Tribunal de Justiça do Estado com o objetivo de coibir o abuso sexual em ônibus, trens e no metrô. A mobilização aconteceu depois que um homem abusou de uma passageira na Avenida Paulista, região central da cidade. De janeiro a julho, a polícia registrou 288 casos como esse na capital paulista.

Com objetivo semelhante, milhares de adventistas saíram às ruas de todo o Brasil no último fim de semana para alertar e conscientizar a sociedade a respeito do tema. A campanha Quebrando o Silêncio deste ano mostrou que o problema do estupro é maior do que se imagina e ocorre, em grande parte, dentro dos próprios lares. De acordo com o estudo Estupro no Brasil: Uma Radiografia Segundo os Dados da Saúde, 24% dos agressores são pais ou padrastos das vítimas e em 32% dos casos o crime é cometido por amigos ou conhecidos.

Os números são assustadores e as consequências, avassaladoras. O 10º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em 2016, revelou que a cada 11 minutos uma mulher é estuprada no país. Somente em 2015, 45.460 passaram a fazer parte da estatística. No entanto, como se estima que apenas entre 10% e 35% dos casos são registrados, é possível que a cada minuto haja uma nova vítima.

“O assunto é grave e pode trazer sérios prejuízos físicos e psicológicos para a vítima e consequências sociais e culturais não menos preocupantes”, afirma Marli Peyerl, educadora e coordenadora da campanha Quebrando o Silêncio na América do Sul.

A fim de ajudar a combater o problema, a igreja produziu uma revista que mostra, por exemplo, como identificar um abusador em potencial e o que fazer quando se sofre uma agressão sexual. A publicação, que conta com uma versão para crianças, também aborda questões como o impacto do abuso sexual no cérebro e apresenta o que a Bíblia tem a dizer para quem foi violentado.

A distribuição do material foi feita de diversas maneiras. Em Curitiba (PR), os voluntários abordaram motoristas nos semáforos e orientaram pedestres no Calçadão da Rua XV, um dos pontos mais movimentados da cidade. Além de receber assistência psicológica gratuita, a população teve acesso à Defensoria Pública e ao Conselho Tutelar. Já em Brusque (SC), os fiéis organizaram uma passeata e uma feira de saúde.

Em Jacareí, no interior de São Paulo, um grupo também saiu às ruas com faixas, balões e frases de impacto. Na cidade de São Carlos, integrantes do Ministério dos Motociclistas Adventistas (AMM, na sigla em inglês) se uniram a outras centenas de fiéis no mesmo propósito. A passeata terminou com uma grande concentração na praça central da cidade, onde foram oferecidos diversos serviços à população e apresentações musicais com Laura Morena e outros cantores (veja aqui a reportagem veiculada pela afiliada da TV Globo).

Ações no centro de Curitiba reuniram cerca de 4 mil pessoas. Foto: Jéssica Caldas

No Distrito Federal, adventistas da região da Samambaia Sul distribuíram os materiais da campanha numa praça de esqueitistas e também aproveitaram para oferecer atendimento na área da saúde. Outro grupo atuou na estação de metrô do Guará. Além disso, ao longo da semana as escolas adventistas orientaram os alunos a denunciar situações de abuso. Semelhantemente, em Posse (GO) os professores chamaram a atenção dos estudantes de maneira lúdica, usando músicas e encenações.

O destaque na Bahia foi a 1ª Feira de Saúde e Conscientização Social sobre violência doméstica, realizada com o apoio da Secretaria de Desenvolvimento e Ação Social, da Delegacia da Mulher e do Centro de Referência da Mulher.

No caso da cidade de Itapajé (CE), as ações do fim de semana encerraram o ciclo de atividades realizadas ao longo de todo o mês de agosto em parceria com setores municipais, educativos e representantes do poder judiciário. Nesse período, diversas escolas foram visitadas e receberam palestras proferidas por assistentes sociais e psicólogas.

Jovens de Juiz de Fora chamaram a atenção para o fato de que a maioria das vítimas tem medo de denunciar os agressores. Foto: Pablo

Em Juiz de Fora (MG), voluntárias fizeram o trabalho de conscientização no calçadão da Rua Halfeld. Com a boca vedada e simulações de hematomas no rosto, elas desafiaram quem passou pela região a romper o silêncio denunciando os agressores.

Cidades cariocas também se envolveram. Em Maricá, os alunos de uma escola pública acompanharam palestras de autoridades civis, médicos e psicólogos. Já em Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro, crianças, jovens e adultos participaram de uma passeata até o terminal rodoviário da cidade. Também foi oferecido um almoço para 80 mulheres atendidas pela Ação Solidária Adventista (ASA). No município de São Gonçalo, onde também houve uma mobilização, o quarto sábado de agosto entrou para o calendário municipal como o Dia do Quebrando o Silêncio.

Já no estado do Pará, que ocupa a 5ª posição no ranking nacional dos crimes de violência contra mulheres, crianças e idosos e registra um crime de estupro de mulheres e crianças a cada duas horas, um fórum reuniu autoridades civis e eclesiásticas para debater o tema.

De acordo com Marli Peyerl, a campanha realizada há 15 anos é uma tentativa de levar a população a não se acostumar com a violência doméstica. Além disso, o objetivo do Quebrando o Silêncio é ajudar as vítimas a construir uma nova história. [Equipe RA, da Redação / Com informações de Cida Silva, Daniel Gonçalves, Eli Braga Magalhães, Kívia Henning, Laís Santana, Leonardo Leite, Mayara Marques, Pâmela Meireles e Roberto Alves, da ASN]

Última atualização em 16 de outubro de 2017 por Márcio Tonetti.

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