Inteligência artificial

3 minutos de leitura

Como os “robôs” têm ajudado no atendimento à crescente demanda por estudos bíblicos durante a pandemia

Márcio Tonetti

O departamento de Web da Rede Novo Tempo de Comunicação registrou um aumento de 271% no número de alunos em 2020

Esperança é um sentimento ou virtude, mas também é o nome do “robô” que atende interessados em estudar a Bíblia. A Esperança “conversa”, em média, com 10 mil pessoas por dia. Ela é, em termos técnicos, um Chatbot, programa de computador que utiliza Inteligência Artificial para interagir com usuários de plataformas on-line e aplicativos. No caso da Rede Novo Tempo de Comunicação, a finalidade é ensinar sobre o livro sagrado.

Basicamente, o serviço oferecido via WhatsApp se destina a dois grupos. O primeiro deles envolve aqueles que desejam aprender sobre a Bíblia. Basta que a pessoa clique no link (adv.st/estudobiblico) e inicie a conversa com a seguinte mensagem: “Olá, quero estudar a Bíblia.”

Pelo fato de ser uma assistente virtual, a Esperança só entende respostas diretas e específicas (ou seja, escolhendo-se uma das opções oferecidas), como informa a mensagem que aparece na tela do smartphone poucos segundos depois.

Mas ela tem ficado cada vez mais inteligente. É o que afirma o pastor Natanael Castro, que a projetou em 2018 e hoje trabalha na equipe de Evangelismo Digital da Novo Tempo, setor coordenado pelo pastor William Timm. “Estamos investindo em Inteligência Artificial e o próximo passo é deixar a Esperança apta para responder perguntas abertas sobre a Bíblia”, Natanael explica.

Isso significa que, em tese, a pessoa poderá perguntar o que quiser, seja por mensagem de texto ou de voz, e que a assistente virtual será capaz de responder. Com o aperfeiçoamento previsto para este ano, a ideia é de que, além da resposta, a Esperança recomende artigos relacionados ao assunto sobre o qual a pessoa perguntar, a partir de uma busca no acervo dos sites oficiais da igreja. O sistema vai fazer uma varredura nessas páginas e sugerir os melhores artigos sobre o assunto. Além disso, também buscará vídeos relacionados na playlist do programa Na Mira da Verdade.

Trata-se de um sistema artificial, mas não necessariamente desumanizado. Isso porque, além da equipe que responde às mensagens e oferece aconselhamento de maneira personalizada, a própria tecnologia também se propõe a ser uma ferramenta de engajamento missionário. Ou seja, aqueles que desejam estudar a Bíblia com seus amigos podem fazer uma “dupla missionária” com a Esperança (acesse: adv.st/ensinarabiblia). “Se você quer dar estudos bíblicos para alguém, basta criar um grupo no WhatsApp e inserir o contato da pessoa e da Esperança. O passo seguinte é enviar a mensagem ‘estudo bíblico’ ao grupo. A partir daí, a assistente virtual entrará em ação, permitindo que você acompanhe o interessado, faça o ‘meio de campo’ e responda outras dúvidas que surgirem ao longo do processo”, esclarece Natanael.

Segundo ele, essa modalidade de estudos (em grupo) representa hoje 40% do público atendido pelo Chatbot. Foi dessa forma, aliás, que Natanael estudou a Bíblia com o irmão dele, batizado em janeiro do ano passado. Como na época o pastor estudava Teologia no Peru e o irmão morava no Brasil, a tecnologia acabou facilitando o trabalho.

O uso de Inteligência Artificial tem ajudado a igreja a responder à crescente demanda por estudos bíblicos durante o período de isolamento social. Se antes da pandemia o setor de Web da Novo Tempo registrava entre 100 e 150 novos interessados em estudar a Bíblia por dia, recentemente esse número chegou a 1,2 mil, média diária que se manteve durante dois meses. A meta tem sido atender esse público virtualmente, mas também construir pontes entre os que estão estudando a Palavra de Deus e as comunidades adventistas presenciais.

MÁRCIO TONETTI é editor associado da Revista Adventista

(Reportagem publicada na edição de fevereiro de 2021 da Revista Adventista)

Última atualização em 10 de maio de 2021 por Márcio Tonetti.

Sobre Márcio Tonetti

Avatar
Editor associado da Revista Adventista

Veja Também

Os efeitos colaterais da cultura da pressa

A velocidade das novas tecnologias acelerou significativamente nosso ritmo de vida, mas precisamos repensar essa lógica.