Reabertura dos templos

3 minutos de leitura
Diante das previsões de flexibilização da quarentena em alguns estados e municípios, igreja na América do Sul formula documento com orientações para o retorno dos cultos presenciais  
MÁRCIO TONETTI
Foto: Unasp / Flickr

Depois que o governo dinamarquês reabriu escolas para alunos de até 11 anos, a Noruega reativou creches, e países como Itália e Espanha anunciaram a retomada gradual de serviços não essenciais, novos debates em torno da flexibilização da quarentena foram travados nesta semana no cenário nacional e internacional. Por aqui, o governo do estado de São Paulo, território mais atingido pela Covid-19, informou que pretende flexibilizar o isolamento social a partir do dia 11 de maio. Já as autoridades do Rio de Janeiro anunciaram que preveem a reabertura de comércios e igrejas a partir do próximo dia 1º.

Diante desse cenário, a liderança da igreja na América do Sul percebeu a necessidade de formular diretrizes sobre o retorno aos cultos presenciais. Divulgado nesta quarta-feira (22), o novo documento sugere que “o retorno às atividades religiosas aconteça de forma progressiva, com responsabilidade e prudência”. A orientação oficial é que, em cada região, sejam avaliados os riscos e impactos sociais do retorno aos cultos presenciais, “seguindo as determinações governamentais e as orientações do escritório jurídico institucional”. O documento observa ainda que “a decisão sobre o reinício das reuniões será divulgada pelas Associações/Missões correspondentes”.

No caso daquelas que voltarem a ter reuniões públicas, a recomendação é seguir medidas de segurança, como manter a ventilação, oferecer cultos em diferentes horários para evitar aglomerações, realizar a higienização de áreas de uso coletivo, manter o distanciamento entre as pessoas e adotar as orientações sanitárias locais quanto ao uso de máscara.

Em um vídeo divulgado no Portal Adventista (clique aqui para assistir) no dia 17 de abril, o pastor Erton Köhler, líder sul-americano da igreja, também ressaltou que os adventistas vão agir com responsabilidade em relação à reabertura das igrejas. “Vamos retomar as atividades dos templos seguindo as orientações legais e com toda a prudência em cada decisão. A ameaça do vírus não vai terminar de um dia para o outro. Ela continua e, como adventistas do sétimo dia, queremos agir com responsabilidade”, ele enfatizou.

“Vamos retomar as atividades dos templos seguindo as orientações legais e com toda a prudência em cada decisão”

Cautela também é a palavra que define o modo como outros líderes da igreja estão reagindo em relação à possibilidade de reabertura dos templos. Nos Estados Unidos, um dos países mais afetados pela pandemia, o governador do estado da Geórgia decidiu reabrir estabelecimentos comerciais a partir desta sexta-feira (24), contrariando a opinião de epidemiologistas e até mesmo da Casa Branca. Segundo os especialistas, a flexibilização da quarentena na Geórgia, região que concentra quase 21 mil casos positivos de Covid-19 e mais de 850 mortes, preocupa porque a curva da pandemia ainda é crescente.

Isso explica o motivo de a presidência da União do Atlântico Sul ter feito um apelo ao governador nesta semana. Por meio de sua página oficial no Facebook, a sede da igreja para três estados norte-americanos, incluindo a Geórgia, pediu às autoridades que reconsiderassem a decisão de pôr fim à quarentena no dia 30 de abril. Na mensagem destinada a Brian Kemp, a liderança adventista expressou que seria igualmente irresponsável de sua parte reabrir templos nesse momento e que, portanto, as congregações adventistas e a sede da denominação nesse território permanecerão fechadas até que haja um clima de maior segurança para a reabertura.

Alguns países da Europa parecem ter um cenário um pouco mais favorável. No dia 20 de abril, a Alemanha, por exemplo, autorizou a abertura de algumas lojas. Na avaliação do ministro da Saúde, Jens Spahn, a pandemia está “sob controle e é administrável” no território alemão. Lá, representantes de diversas denominações se reuniram com líderes do governo no dia 17 de abril para pensar em um plano de retomada das atividades religiosas. Existe a possibilidade de isso acontecer gradualmente a partir do fim do mês, mas a liderança da igreja na Alemanha entende que “é importante avaliar os riscos à saúde em casos individuais e verificar os requisitos espaciais para saber se as regras de higiene e distância necessárias podem realmente ser observadas”, conforme noticiou uma das sedes administrativas da igreja no país em seu site na segunda-feira (20).

MÁRCIO TONETTI é editor associado da Revista Adventista

Última atualização em 30 de abril de 2020 por Márcio Tonetti.

Sobre Márcio Tonetti

Avatar
Editor associado da Revista Adventista

Veja Também

Capa da ed. de setembro de 2020

1 minuto de leitura Última atualização em 20 de setembro de 2021 por Márcio Tonetti. …