Atenção

O farol da colina

3 minutos de leitura
Os cem anos do Unasp não se resumem a um período cronológico ou recorte histórico
O pequeno colégio cresceu e se modernizou, mas não deve perder de vista sua identidade e missão. Foto: Acervo Unasp
O pequeno colégio cresceu e se modernizou, mas não deve perder de vista sua identidade e missão. Foto: Acervo Unasp

Mario Quintana, poeta de grande sensibilidade, escreveu: “A vida é tão bela que chega a dar medo, não o medo que paralisa e gela, estátua súbita, mas esse medo fascinante e fremente de curiosidade que faz o jovem felino seguir para a frente farejando o vento ao sair, a primeira vez, da gruta.”

No início de 1982, eu era como esse felino, saindo da “gruta” do Iasp, no interior, e chegando ao IAE, na capital, para sentir o cheiro das novas ideias entre os arbustos da colina e nos prados da teologia. Por certo, muitos outros jovens experimentaram a mesma sensação.

Horne Silva, Joel Sarli, Modesto Marques, Orlando Ritter, Pedro Apolinário, Siegfried Schwantes e Wilson Endruveit são apenas alguns dos nomes que transitavam pelas salas de aulas, contando histórias, apresentando informação, expondo conceitos, corrigindo erros e inspirando ideais. Isso sem falar nos mestres de outras cátedras. Com sua sabedoria, eles nos encantavam. Devagar, o medo cheio de curiosidade foi sendo aquietado pela segurança das descobertas.

O IAE foi um oásis intelectual para o jovem sedento por conhecer tudo. Ali encontrei ar, água, comida, abrigo e caminhos. Quase 30 anos depois do diploma, tenho o prazer de escrever um editorial sobre o centenário do Unasp, que se tornou um farol na paisagem do Brasil e na vida de milhares de estudantes.

Na carta que John Lipke redigiu sobre o lugar escolhido para a fundação da escola, a 23 km do centro de São Paulo, na época com 300 mil habitantes, ele comenta: “Hoje somos poucos nestas terras, mas sonho com um batalhão de jovens passando por estas colinas em busca de preparo para a vida.” O sonho foi realizado com sobra. Se o colégio começou com 12 alunos, hoje mais de 17 mil estudam nos três campi da instituição.

Para contar essa história, encomendamos a matéria de capa ao pastor e jornalista Márcio Dias Guarda, que também passou por lá e está escrevendo o livro oficial do centenário da instituição, que será lançado em outubro. Dos tempos dos fundadores John Boehm e John Lipke ao estágio atual, você conhecerá um pouco mais sobre o símbolo maior da educação adventista no Brasil.

É impossível avaliar o impacto do Unasp na vida dos estudantes que cruzaram seus portões e, por meio deles, na sociedade. A esfera de influência de uma instituição adventista é incalculável. Os primeiros adventistas sabiam disso e, mesmo temendo o institucionalismo, investiram pesado em instituições educacionais, médicas e na área de publicações, todas com o foco na missão.

Embora o mundo de hoje não seja o de 1915 e a maneira de ver a realidade tenha mudado radicalmente, perduram os princípios que nortearam a fundação do colégio: promover o desenvolvimento equilibrado em todos os aspectos, restaurar a imagem do Criador e transmitir crenças, atitudes, valores e hábitos do adventismo.

Isso não é fácil, pois o choque de ideias e cosmovisões da fé cristã e da sociedade secular, como se fosse o encontro de placas tectônicas, tem potencial para causar um terremoto. A educação hoje enfrenta desafios que jamais passaram pela imaginação dos pioneiros.

Ao longo de um século, o pequeno colégio cresceu, virou centro universitário e se modernizou. Contudo, precisa continuar se reinventando a cada ano. Transformar-se em universidade no futuro poderá ser um dos melhores presentes para celebrar a data. E, apesar de a secularização ser uma tendência nas escolas confessionais, ele nunca deve perder de vista sua identidade e missão.

Afinal, a legítima educação adventista, conforme diz Ellen White (Educação, p. 13), é mais do que o preparo acadêmico para o mercado e o presente: “Visa ao ser todo, e todo o período da existência possível ao homem.” ­Trata-se de uma educação que tem “íntima relação com a futura vida imortal” (Fundamentos da Educação Cristã, p. 231) e continuará pelos dias infindos da eternidade.

Parabéns, Unasp, por cem anos transformando expectativas em sonho, sabedoria, serviço, vida e felicidade!

MARCOS DE BENEDICTO é editor da Revista Adventista e ex-aluno do Unasp

LEIA TAMBÉM

Ensino superior

Culto de gratidão celebra os cem anos do Unasp

Última atualização em 16 de outubro de 2017 por Márcio Tonetti.

Sobre Marcos De Benedicto

Marcos De Benedicto
Editor da Revista Adventista

Veja Também

O mistério da intercessão

Uma teologia da oração para nossa luta com Deus em busca de ajuda e respostas.