Ilumine o mundo

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O papel das publicações adventistas é romper as trevas espessas

Marcos De Benedicto
Crédito da imagem: Adobe Stock

Volte no tempo até o ano de 1900. Imagine que o professor Guilherme Stein Jr. não tivesse ido para o Rio de Janeiro nem decidido publicar a revista O Arauto da Verdade em julho daquele ano, dando origem ao que viria a ser a Casa Publicadora Brasileira. Nesse caso, em 1903, John Lipke não teria conseguido o prelo que havia pertencido à Review and Herald e sido salvo do fogo no ano anterior a fim de continuar seu giro constante no Brasil, acendendo a cada pulsação “a luz que expulsa as trevas do erro”, no poetizar de Isolina Waldvogel. A CPB simplesmente não existiria.

Famílias impactadas pelos livros e revistas da editora ao longo de 120 anos talvez não tivessem sido alcançadas pelo evangelho. Os materiais didáticos não possuiriam a configuração atual. Os nomes ligados à CPB e ao ministério de publicações não teriam a mesma trajetória. Eu mesmo não teria visitado a editora em 1981, colportado por 12 férias, liderado equipes de estudantes nem vindo para a instituição há 33 anos.

Felizmente, a CPB foi fundada. Pequena no início, ela se transformou na maior entre as 60 editoras da igreja no mundo. Vários fatores contribuíram para esse sucesso, incluindo a boa administração, uma equipe capacitada, o relacionamento com a igreja, uma linha completa de materiais didáticos e o eficaz sistema de distribuição, mas entre os principais estão o compromisso com a verdade bíblica, a cultura de oração, a bênção divina e o apoio de leitores como você.

Obviamente, nossa instituição enfrenta desafios semelhantes aos que preocupam a indústria gráfica do país. Entretanto, Deus tem abençoado a editora, que desempenha um papel fundamental na pregação do evangelho. Por isso, ainda que de maneira discreta, devido ao momento atual, celebramos a data.

Não basta acreditar que as publicações ajudarão a iluminar o mundo; precisamos ser transformados em pequenos pontos de luz

Embrutecido pelo pecado, o mundo está cada vez mais confuso. Há um conflito de ideias, visões, narrativas e comportamentos. Satanás tenta envolver todo o planeta em trevas. Nesse contexto, as editoras adventistas têm a missão de ajudar a iluminar a Terra com a luz da verdade, conforme sublinhou Ellen White (Testemunhos Para a Igreja, v. 4, p. 595).

“Depois destas coisas, vi descer do céu outro anjo, que tinha grande autoridade, e a terra se iluminou com a sua glória”, descreveu João em referência ao movimento que proclamará a última mensagem (Ap 18:1). O porte dessa figura angélica, com seu grande poder e sua glória esplêndida, riscando o céu com admirável velocidade, corresponde à grandeza da tarefa: fazer o último apelo para que o povo de Deus saia de “Babilônia”, a civilização do mal.

Com uma frase que se tornou o tema do monumento do centenário da CPB, Ellen White interpretou esse texto apocalíptico: “É em grande parte por meio de nossas casas editoras que se há de efetuar a obra daquele outro anjo que desce do Céu com grande poder e, com sua glória, ilumina a Terra” (O Outro Poder, p. 117). A luz é uma metáfora clássica para o conhecimento e a verdade. Para um período de espessas trevas, Deus envia grande luz. Não é sem motivo que Ellen White usou a palavra “luz” 311 vezes no livro O Grande Conflito!

No entanto, não basta acreditar que as publicações ajudarão a iluminar o mundo. Precisamos ter a vida iluminada pela glória divina e servir como pequenos pontos de luz que, na soma, poderão iluminar a Terra.

MARCOS DE BENEDICTO é editor da Revista Adventista

(Editorial da edição de dezembro de 2020)

Última atualização em 28 de dezembro de 2020 por Márcio Tonetti.

Sobre Marcos De Benedicto

Marcos De Benedicto
Editor da Revista Adventista

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