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Se eu fosse jovem …

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Não basta dizer que as novas gerações não têm fé. É preciso acreditar na juventude e investir em seu futuro

Os jovens da geração atual cresceram na cultura digital e têm uma variedade de posicionamentos. Devemos entender por que eles estão se distanciando da igreja. Créditos da imagem: William de Moraes
Os jovens da geração atual cresceram na cultura digital e têm uma variedade de posicionamentos. Devemos entender por que eles estão se distanciando da igreja. Créditos da imagem: William de Moraes

O crescimento exponencial do cristianismo no Sul Global tem levado alguns a afirmar que este é o melhor momento da fé cristã na Ásia, África e América do Sul. Mas do outro lado do mundo a situação não está tão boa. Em muitos países do Ocidente a geração Z está deixando as igrejas em massa. O fenômeno é complexo e atinge muitas denominações.

Diante desse problema, o que a igreja pode fazer? A matéria de capa desta edição tem o objetivo de discutir essa questão. Reconhecemos que o tema é polêmico e que não existem muitas certezas. No entanto, o assunto é importante demais para que fiquemos em silêncio. Enquanto a reportagem trabalha com o tópico de forma mais analítica, eu irei enumerar algumas coisas que, caso eu fosse jovem, gostaria de ver na minha igreja:

  •  Saiba quem são os jovens. Hoje é até difícil dizer quem é jovem, pois não temos claros “ritos de passagem” para indicar o momento em que um indivíduo deixa um grupo e passa a pertencer a outro. Mas é preciso conhecer nosso tempo e entender como os jovens se relacionam a ele, uma vez que a juventude está na vanguarda das mudanças. As respostas de ontem não são suficientes para as perguntas de hoje.
  •  Afirme o valor do jovem. Muitos jovens vivem na periferia existencial. Precisam de uma palavra de afirmação e conselho, com autenticidade, abertura e atenção individual, no estilo pastoral de Jesus. Querem proximidade, humildade, interesse sincero, abertura, aceitação, espaço, oportunidade, apoio, programação inteligente, projetos desafiadores.
  • Torne a igreja relevante. Ela deve ter credibilidade. O jovem precisa confiar que a igreja, além de ensinar a verdade e oferecer a salvação por meio de Cristo, é um lugar seguro e bom para o futuro dele. A igreja deve apostar numa visão transcendente e ajudar o jovem a descobrir o propósito da existência. A vida centralizada no eu faz parte da matriz do pecado.
  • Apoie os movimentos jovens. Quem se importa investe tempo e dinheiro. Não feche a porta para as iniciativas dos mais novos. A cabeça da juventude tem sido um território fértil para ideias sensacionais. Em um artigo no The ­Journal of Youth Ministry em 2014, Mark H. Senter III afirmou que “nenhuma mudança substantiva no ministério jovem veio da academia”. Os acadêmicos apenas aperfeiçoaram o que já existia.
  • Organize um exército. Não para combater e matar, mas para ajudar e salvar (ver Ellen White, Educação, p. 271). Um exército do evangelho, caracterizado pelo poder do Espírito Santo, tem o potencial para fazer uma revolução do bem e explodir as trincheiras das forças do mal.
  • Crie um ambiente santificado. Os jovens vão para a igreja ou permanecem nela não porque veem um lugar mais parecido com o mundo, mas porque percebem um ambiente mais semelhante ao Céu. Levar o mundo para dentro da igreja na tentativa de impedir que os jovens saiam dela é o caminho mais curto para colocá-los no mundo. Igreja é lugar de alegria autêntica, mas não de entretenimento falso.
  • Saiba que a decisão, em última instância, é do jovem. Os pais e a igreja podem fazer tudo certo e, ainda assim, dar tudo errado. Há um contexto sociocultural que afeta as escolhas, mas a decisão de ficar ou sair é de cada um. Por isso, um dos papéis fundamentais da igreja é interceder intensamente pelos jovens.
  • Abrace os que erram. Algum dia, muitos jovens voltam – cheios de escoriações e arrependimentos. Como ensina a parábola do filho pródigo (Lc 15), considerada o evangelho em uma cápsula, a atitude a ser demonstrada para com os que deixam a casa e decidem regressar é a do Pai, e não a do irmão mais velho, que tenta usurpar a autoridade paterna e peca sem nunca ter saído de casa. Revele graça mesmo quando o jovem causar desgraça. Para cada filho pródigo, mostre um amor pródigo. Se a igreja for uma casa apenas para os puros e santos, os pecadores continuarão sem teto.

Cuidar dos jovens de nossa igreja é um trabalho integrado de família, igreja e escola, que podem criar pontes entre as gerações. Isso tem um custo, mas o investimento traz dividendos para a eternidade.

MARCOS DE BENEDICTO é editor da Revista Adventista

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