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Teste de resiliência

3 minutos de leitura

O grande ativo emocional e espiritual para momentos de disrupção

MARCOS DE BENEDICTO

Foto: Adobe Stock

Há alguns anos, quando fiz um sermão sobre resiliência, algumas pessoas ficaram admiradas com o conceito, que era quase desconhecido. Hoje, ele se tornou muito popular e é aplicado a uma variedade de aspectos, incluindo pessoas, famílias, natureza, materiais, cidades, nações… É estudado em psicologia, ecologia, engenharia, sociologia e ciência política, entre outras áreas. Com a fragilidade emocional dos povos e o colapso espiritual da civilização, mais do que nunca precisamos de resiliência.

Mas o que significa essa palavra insólita importada da física? Do latim resilire (“voltar ao que era”, “saltar para trás”), resiliência é a capacidade que uma pessoa, estrutura ou sistema tem de resistir às pressões, se recuperar de eventos disruptivos, responder aos desafios presentes e saber o que fazer diante de ameaças futuras. É o poder de retornar à forma original depois de ser submetido a um estado de tensão. É ser jogado na lona pelos golpes da vida, levantar, limpar o sangue do nariz e nocautear o “inimigo”, figuradamente. É voltar à tona e boiar quando os pesos da vida tentam submergir a gente no mar das dificuldades. Entre as imagens mais comuns do fenômeno, temos o elástico que volta ao normal depois de ter sido esticado, a planta que nasce num solo hostil, a árvore inclinada pelo vento sem se quebrar, a fênix que renasce das cinzas.

A resiliência não é exclusividade dos heróis. No dia a dia, todos nós mostramos algum traço dessa qualidade. Não existe um gene da resiliência, mas fatores genéticos e culturais podem ajudar a lidar com a adversidade. Cada um tem um mapa da sua história, uma trajetória única e irrepetível, uma jornada personalizada rumo à resiliência. O que tornou você emocionalmente forte ou frágil?

A resiliência não é exclusividade dos heróis. No dia a dia, todos nós mostramos algum traço dessa qualidade

Felizmente, podemos desenvolver a resiliência. Assim como o corpo pode ser fortalecido quando vamos para a academia e nos exercitamos, o mesmo ocorre com nossa fibra mental. Nosso cérebro tem grande capacidade de se ajustar às situações adversas. Da mesma forma que reconhece códigos físicos/culturais como as letras do alfabeto e percebe significados nessas curvas e retas, ele aprende a lidar com os padrões dos eventos. As redes neuronais podem ser reprogramadas por experiências e hábitos. Você
não pode controlar as circunstâncias, mas pode trabalhar suas reações.

Diferentes autores ressaltam distintas características relacionadas ao núcleo da resiliência. Por exemplo, no recém-lançado livro Resilience for Dummies (John Wiley & Sons, 2021, p. 17-20), a doutora Eva Selhub explora seis pilares: (1) robustez física, (2) equilíbrio emocional, (3) clareza e firmeza emocional, (4) conexão espiritual, (5) relacionamentos amoráveis e (6) liderança influente na comunidade.

Eu poderia citar outras qualidades, como um propósito significativo para a vida, a persistência e a flexibilidade. No entanto, por falta de espaço, destaco a visão realista dos desapontamentos presentes e das recompensas futuras. Todos os grandes personagens da Bíblia tiveram um “antes” e um “depois”, e a vida deles foi reconfigurada por Deus com base em promessas de um novo dia. Conforme sublinha o ­­apóstolo Paulo, nossos leves sofrimentos momentâneos não são nada em comparação com o eterno peso da glória futura e, por isso, fixamos o olhar no que não se vê (2Co 4:17, 18).

A resiliência que vem do interior é formidável, mas a que vem de cima é
inquebrantável. Deus é nossa fortaleza.Leia a matéria de capa e descubra como se preparar para emergir em vez de submergir, renascer em vez de sucumbir, florescer em vez de murchar.

MARCOS DE BENEDICTO é editor da Revista Adventista

(Editorial da edição de abril de 2021)

Última atualização em 5 de abril de 2021 por Márcio Tonetti.

Sobre Marcos De Benedicto

Marcos De Benedicto
Editor da Revista Adventista

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