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Zona de conforto

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Como encontrar consolo no abraço de Deus
Marcos De Benedicto
Crédito da imagem: AdobeStock

Em algum momento da vida, todos nós precisamos de conforto, pois vivemos em um pedaço do Universo marcado por perdas, aflições e ferimentos. Escoriações físicas e emocionais são frequentes. Governantes perpetram bobagens, políticos enganam o povo, chefes maltratam funcionários, bandidos aterrorizam a sociedade, policiais matam inocentes, minorias sofrem discriminação, colegas fazem bullying, vulneráveis são explorados, cônjuges ferem seus parceiros, filhos desobedecem aos pais, crianças ficam doentes, todos perdem pessoas queridas. O sofrimento é um fato, não uma interpretação.

Se o amargor caracteriza a realidade humana, o consolo faz parte da essência de Deus. Afinal, o Pai é chamado de “Deus de toda consolação” (2Co 1:3), Jesus é a personificação do consolo (Mt 11:28-30) e o Espírito Santo é descrito como o “Consolador” (Jo 14:16, 26; 15:26; 16:7). Por que um Deus tão grandioso Se apresenta com uma face tão sensível? Porque Ele é o Consolador. Deus nos conforta não simplesmente para nos conquistar, mas porque é amor. Não faz isso só por causa de nossa necessidade, mas de Sua natureza. Quem ama consola.

Mesmo quando o povo de Deus erra, Ele o conforta. Em Lamentações 1, no contexto do exílio babilônico, Jeremias chorou porque Jerusalém havia se tornado um lugar desolado e ninguém a consolava. Mas o profeta poderia ter se lembrado de que, por meio de seu antecessor Isaías, Deus havia prometido consolar Judá. Deus abre o chamado “Livro da Consolação” (­Isaías 40–55) dizendo: “Consolem, consolem o Meu povo” (40:1, NVI), lindas palavras citadas no início do oratório “O Messias”, de Georg Händel. “Eu sou Aquele que os consola”, afirmou o Senhor (Is 51:12).

Assim como Deus nos conforta, devemos consolar os outros, ensina o apóstolo Paulo (2Co 1:3-4). Isso deve ser feito pessoalmente ou por meio de ministérios específicos, como a capelania, tema da reportagem de capa. Se há pessoas que assolam e desolam, outras consolam. Confortar os aflitos é se identificar com eles.

Em 2 Coríntios, apelando para conceitos da Bíblia hebraica, Paulo destacou o assunto da consolação. Ele usou várias vezes o verbo parakaleo, que tem o sentido de chamar para estar ao lado, socorrer e consolar. Curiosamente, Epiteto, um filósofo estoico contemporâneo do apóstolo, empregou o mesmo vocabulário para exortar os sofredores a deixar seu estado emocional alterado e voltar à ordem racional divinamente estabelecida. Paulo foi em outra direção. Ele sublinhou o consolo de Deus e proclamou o reino escatológico de Cristo, que estabelece uma nova ordem e ressignifica o sofrimento.

O cuidado pastoral de Deus é exercido, em grande medida, por Sua proximidade. Às vezes, a simples presença já transmite conforto. “A presença do Pai acompanhava Cristo, e nada Lhe sucedia que o amor infinito não tivesse permitido para a bênção do mundo”, reflete Ellen White. “Aí residia o Seu e o nosso motivo de conforto. Quem está imbuído do Espírito de Cristo habita em Cristo. Tudo o que lhe sucede vem do Salvador que o rodeia com Sua presença. Nada pode atingi-lo sem a permissão do Senhor” (A Ciência do Bom Viver, p. 488-489).

Você pode confiar no consolo atual e final de Deus, pois Ele limpará de seus olhos toda lágrima (Ap 7:17; 21:4). Quando as circunstâncias fazem você chorar, Deus cria meios para secar suas lágrimas a fim de que você volte a ver a glória Dele.

MARCOS DE BENEDICTO é editor da Revista Adventista

Editorial da edição de novembro de 2019

Última atualização em 13 de novembro de 2019 por Márcio Tonetti.

Sobre Marcos De Benedicto

Marcos De Benedicto
Editor da Revista Adventista

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