Atenção

Déficit de atenção

3 minutos de leitura
Saiba como lidar com o transtorno que afeta crianças e adultos

TDAH - creditos Novo Tempo

TDAH. Essas quatro letras podem desestabilizar pais, familiares, grupos sociais e educadores. O chamado Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade é um problema comum no Brasil. Por ano, mais de dois milhões de casos são diagnosticados no país. Estudo recente feito por pesquisadores da USP e das universidades federais do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul também mostrou que existem no Brasil aproximadamente 250 mil adolescentes e crianças que não sabem que sofrem os efeitos do TDAH.

Apesar do elevado número de casos, ainda existe muita especulação sobre o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. Geralmente, ele é confundido com outros problemas ligados ao comportamento de crianças, adolescentes e até mesmo de adultos. Portanto, é preciso saber o que é o TDAH, a fim de buscar auxílio profissional adequado em caso de suspeita.

No passado, acreditava-se que o transtorno pudesse ser superado naturalmente até o fim da adolescência. Contudo, a partir da década de 1980 pesquisadores perceberam que cerca de 65% das crianças diagnosticadas levavam os sintomas para a vida adulta. Além disso, estudos indicaram que o TDAH se manifestava de maneira diferente em cada pessoa.

Quando falamos dos sintomas do TDAH, os principais são falta de atenção, impulsividade e hiperatividade ou excesso de energia. Entretanto, na infância eles podem ser confundidos, por exemplo, com excessos comportamentais decorrentes da negligência dos pais em estabelecer limites, com problemas alimentares, a exemplo de uma dieta rica em açúcar, ou ainda com o horário de dormir.

É importante compreender que existem aspectos positivos e negativos que permeiam a pessoa com déficit de atenção. Na verdade, o TDAH não se constitui necessariamente pelo déficit de atenção e sim por uma inconstância na atenção. A pessoa com TDAH costuma se concentrar em atividades nas quais há motivação e/ou desafio.

Em geral, o portador de TDAH se distrai com facilidade e se mantém absorto aos vários estímulos, o que gera uma desordem dos pensamentos e impede que ele estabeleça prioridades. Além disso, pode fazer drama por pequenas coisas. Com uma mente hiper-reativa, a pessoa até é capaz de aparentar ser calma, porém internamente há um turbilhão de ideias e sentimentos que a dominam.

Essa condição faz parte de quem convive com o TDAH. Apesar do desgaste provocado pela confusão de pensamentos, isso não impede a criatividade. Desse caos podem surgir ideias inovadoras.

Há também outras características que podem acompanhar as pessoas com TDAH:

  1. Seu humor geralmente é imprevisível, instável, com altos e baixos repentinos;
  2. Ainda que inteligente, criativo e intuitivo, por ser incapaz de “viver adequadamente” pode sofrer crises de depressão, o que reforça a importância do diagnóstico e tratamento;
  3. Apresenta dificuldade de atingir suas metas, tendo geralmente um rendimento abaixo do seu potencial. Demora-se para iniciar as tarefas, perde-se nos devaneios e interrompe com facilidade o que está realizando;
  4. Pode sofrer prejuízo com sua desorganização, como por exemplo, perder anotações importantes na “bagunça” de sua mesa e gavetas.

Mas não é preciso se desesperar frente ao diagnóstico, pois há inúmeras pessoas que prosseguem suas vidas e algumas até se destacam na sociedade. Foi o caso de famosos como Albert Einstein, Mozart e John Kennedy.

Por outro lado, é importante ficar atento a algumas ações que podem colaborar para que melhor se lide com o TDAH. Entre elas, fazer exercícios físicos, usar o relógio biológico em favor de si mesmo, aceitar as limitações e estabelecer prioridades. No caso das crianças, é fundamental o acompanhamento amoroso e educativo dos responsáveis.

Mas, afinal, quando é necessário procurar ajuda? Como saber se tenho ou não TDAH? Primeiramente, é importante saber que para identificá-lo é necessário o diagnóstico profissional. Dependendo do quadro geral da pessoa se definirá a equipe multidisciplinar para acompanhamento, que pode incluir médicos, psicopedagogos, psicólogos e fonoaudiólogos.

Embora existam muitos testes online que podem auxiliar na elaboração de hipóteses (veja alguns aqui: teste para crianças; teste para adultos 1; e o teste para adultos 2), é somente com o diagnóstico de um profissional qualificado que se pode verdadeiramente ter uma confirmação ou não.

Apesar de não haver cura para o TDAH, há uma boa notícia: o tratamento auxilia muito para se ter uma boa qualidade de vida. [Créditos da imagem: Novo Tempo]

NÁDIA TEIXEIRA é mestre em educação, psicopedagoga e pedagoga. Trabalha na CPB como coordenadora pedagógica da Universidade Corporativa da Educação Adventista

Última atualização em 16 de outubro de 2017 por Márcio Tonetti.

Sobre Nádia Teixeira

Nádia Teixeira
Trabalha na CPB como coordenadora pedagógica da Universidade Corporativa da educação adventista

Veja Também

As mães são as melhores “escolas”

Mensagem de vídeo produzido em homenagem a elas enfatiza seu papel imprescindível na formação do caráter dos filhos.