Ateísmo sexual

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Se os nossos dias são semelhantes aos dias de Noé, isso significa que estamos no tempo do fim

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A Bíblia conta a dramática história do dilúvio. Algumas centenas de anos após a criação, a maldade humana já havia alcançado um limite insuportável. Não temos os detalhes do tipo de coisas praticadas por aqueles homens e mulheres. Mas Jesus nos dá uma pista: “do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias” (Mateus 15:19). Seguramente, esses atos estavam na lista de realizações daquela geração. O livro de Gênesis enfatiza que “continuamente era mau todo desígnio do seu coração” (Gênesis 6:5). Em outras palavras, a mente dessas pessoas estava ocupada com maus pensamentos todos os dias e o dia todo.

Em seu sermão profético, Jesus mencionou que “como foi nos dias de Noé, assim também será na vinda do Filho do Homem. Pois nos dias anteriores ao dilúvio, o povo vivia comendo e bebendo, casando e dando-se em casamento”. Essa afirmação enfatiza a orgia e a idolatria sexual que marcaram o mundo anterior ao dilúvio. Ele era imoral, corrupto e violento (Mateus 24:37-39; Gênesis 6:11,13). Alguma semelhança com o que vemos hoje?

O sucesso de bilheteria de produções cinematográficas como “50 tons de cinza” – só no Brasil, foram mais de 4 milhões espectadores – já diz muita coisa sobre a condição moral da sociedade contemporânea. Outro exemplo recente também foi o “carnaval”. No Brasil, milhares de pessoas foram às ruas durante os cinco dias de “folga”. Fazendo uma pesquisa rápida, a fim de obter algumas informações sobre o evento, encontrei uma frase atribuída a Vinícius de Moraes que diz: “Carnaval. A festa onde os tabus perdem força e as permissões tornam-se hiperbólicas”. Ele não poderia ter sido mais preciso em sua definição. Para se ter uma ideia, somente para o período do carnaval em 2015, o Ministério da Saúde repassou aos estados 70 milhões de camisinhas, conforme dados divulgados pelo Portal Brasil. Quanto gasto para os cofres públicos! E pensar que a prática da orientação encontrada em Êxodo 20:14 e Atos 15:20,29 evitaria tudo isso.

A mídia em geral, é claro, fez questão de cobrir todos os detalhes da festa. Era quase impossível ligar a televisão ou acessar a internet e não encontrar alguma menção à “alegria” e “glamour” dos shows, desfiles, trios elétricos, fantasias, etc. Ao mesmo tempo, ficamos impressionados com o fato de que a mesma mídia faz pouca menção dos problemas sociais decorrentes dos excessos: os inúmeros casos de gravidez indesejada, não raro provocados por estupros (cuja incidência aumenta consideravelmente nesse período), abortos, vidas arruinadas pelo alto consumo de drogas e as DSTs, sem falar nos gastos com vítimas de acidentes e as indenizações por morte ou invalidez por eles provocadas.

Ainda assim, o carnaval é apenas uma maquete de um problema muito maior. Ele representa a luxúria insaciável de uma geração, além de ser um dos reflexos de um mundo em que tudo é permitido. Afinal, se “as proibições” caem por terra nesse período, que argumentos temos contra a violência e a corrupção? O fato é que a sociedade contemporânea se tornou o cenário de um permanente carnaval, que será surpreendido pela segunda vinda de Jesus.

Porém, o que mais me assusta em todo esse quadro é o que alguns estão chamando de ateísmo sexual. Alguns cristãos têm afirmado que Deus pode dizer o que é certo ou errado em qualquer outro assunto, menos quando a questão é sexo. Uma pesquisa recente realizada pelo site Christian Mingle entrevistou cristãos solteiros na faixa etária de 18 a 56 anos, e revelou que 63% praticaram sexo antes do casamento. Esses cristãos vivem uma dicotomia entre identidade e atividade.

Uma vez que a igreja não concorda com essa posição atual sobre a sexualidade, ela não pode ficar em silêncio. É preciso tocar mais no assunto. Afinal, como disse Paulo, “Vai alta a noite, e vem chegando o dia. Deixemos, pois, as obras das trevas e revistamo-nos das armas da luz. Andemos dignamente, como em pleno dia, não em orgias e bebedices, não em impudicícias e dissoluções, não em contendas e ciúmes; mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências” (Romanos 13:12-14). Se os nossos dias são semelhantes aos dias de Noé, isso significa que estamos no tempo do fim. Não podemos ser surpreendidos! [Foto: Fotolia]

NILTON AGUIAR, mestre em Ciências da Religião, é professor de grego e Novo Testamento na Faculdade Adventista da Bahia e está cursando o doutorado em Novo Testamento na Universidade Andrews (EUA)

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Última atualização em 16 de outubro de 2017 por Márcio Tonetti.