Nem só de pão

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Os benefícios do jejum, que vão além dos aspectos espirituais e físicos, precisam ser redescobertos e reivindicados pelos cristãos

S. Joseph Kidder e Kristy L. Hodson

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O jejum é uma disciplina espiritual mencionada diversas vezes na Bíblia. Essa prática permaneceu na vida dos cristãos primitivos. No capítulo 8 de uma obra cristã de segunda geração conhecida como Didaquê, os cristãos são instruídos a jejuar às quartas e sextas-feiras. Reformadores como Martinho Lutero, João Calvino e John Wesley incentivavam o jejum regular. Os pioneiros adventistas, incluindo Tiago e Ellen White, também defenderam o jejum.

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No entanto, não mais ouvimos falar atualmente sobre o jejum, a menos que seja no contexto de períodos de angústia ou desejo de reavivamento. Alguns recuam diante do jejum por causa do uso incorreto dessa disciplina ou a fim de se distanciarem do ritual legalista que considera o jejum uma prova de espiritualidade. Outros não sentem necessidade de participar do que consideram um costume antiquado ou uma manobra para obter a graça de Deus. Além disso, o jejum não combina com o desejo moderno de compartimentalizar o sagrado e o secular.

Apesar disso, quando abordamos o jejum como uma forma de nos conectarmos de maneira profunda com o Criador do Universo, ele traz consigo grande alegria e renovação espiritual. O objetivo deste artigo é apresentar o conceito bíblico do jejum, demonstrando como e por que ele deve fazer parte da experiência cristã individual e coletiva de todo fiel.

DEFINIÇÃO BÍBLICA

O Antigo Testamento faz uso de quatro palavras principais para denotar jejum. A mais comum delas é tsowm, empregada 26 vezes, e sua cognata tsuwm, usada 21 vezes. Em todas as ocorrências, essas palavras são usadas no contexto de se privar temporariamente da alimentação. O jejum expresso por meio dessas palavras em geral é feito pelos seres humanos para buscar o favor de Deus (Ed 8:21), demonstrar arrependimento (Jn 3:5) e/ou em sinal de luto (2Sm 1:12). Outra palavra hebraica, nazar, traduzida em Zacarias 7:3 por “jejum” (ARA) e “abstinência” (ACRF), entre outras coisas, é usada dez vezes na Bíblia. Esse termo tem o sentido de separação e consagração permanente ou de longo prazo para fins de santidade. É usado de maneira específica (em quatro das dez vezes) para se referir ao voto de nazireu (Nm 6:2-6). A quarta palavra, ‘anah, quer dizer “afligir-se ou humilhar-se” e, às vezes, é usada no contexto de se negar por meio do jejum. Dois exemplos destacados desse uso estão ligados ao jejum do Dia da Expiação em Levítico 23:27-32 e à intercessão de Davi e seu jejum em Salmo 35:13.

Levando em conta esses quatro termos, podemos concluir que, no Antigo Testamento, “jejum” se referia à abstinência temporária dos alimentos e humilhação perante Deus a fim de demonstrar grande tristeza ou buscar o favor divino.

O Novo Testamento usa três palavras gregas, todas do mesmo radical, a fim de indicar jejum: nesteuo (usada 21 vezes), nesteia (oito vezes) e nestis (duas vezes). Todas elas podem ser traduzidas literalmente como “não comer”; porém, o contexto nos revela que essas palavras são empregadas para se referir a um ritual ou uma prática religiosa.

Nos tempos do Novo Testamento, o jejum havia se tornado, para muitos, mais um ritual para demonstrar piedade ou um hábito do que uma forma de se aproximar de Deus (Lc 18:10-12). Não havia alegria no jejum que praticavam, conforme evidencia a repreensão que Jesus dirigiu àqueles que intencionalmente chamavam atenção para o jejum (Mt 6:16-18).

Jesus e a igreja do 1º século promoveram o jejum com um propósito. Para Cristo, o jejum é uma experiência íntima e pessoal com Deus, feita de forma individual ou coletiva, a fim de reunir forças para a batalha espiritual (Mt 4:2; Mc 9:29). A igreja primitiva continuou a jejuar dessa maneira e também o fazia quando líderes eram consagrados ao Senhor (At 14:23).

O QUE É

Na Bíblia, jejum é se privar de comida e bebida a fim de se concentrar no crescimento espiritual (Mt 17:21; At 9:9), na oração (Dn 9:3), na consagração (At 14:23), no livramento (Et 4:16; Sl 109:24), em festas coletivas (Lv 23:26 32), na solução de um conflito (Jz 20:26), no arrependimento (Dt 9:18; Jn 3:5), no luto (1Cr 10:12), na súplica (Jl 1:14); 2Sm 12:16) ou na busca pela vontade de Deus (At 13:2).

O jejum não é visto na Bíblia somente como uma prática individual, mas também como um exercício coletivo pela nação inteira ou comunidade de fé. Dias de jejum faziam parte do luto por um falecimento, como fez Israel após a morte do rei Saul (1Cr 10:11,12), ou em períodos de grande crise, fome e invasão (Jl 1:14; 2Cr 20:3). Os dias nacionais de jejum aumentaram durante o período pós-exílico, a fim de relembrar a destruição do templo e os acontecimentos que levaram ao exílio. Ainda assim, na Bíblia, o jejum solitário é mais comum do que o corporativo.

Embora o jejum normalmente se refira à abstenção de comida e bebida por um período específico, alguns indivíduos podem buscar uma definição mais elevada de jejum, incluindo hábitos de estilo de vida. Na atualidade, os itens não alimentares podem incluir redes sociais, compras, sono, esportes, sexo ou qualquer outra atividade que possa distrair a pessoa de se concentrar totalmente em Deus.

Em muitos casos, o objetivo é abrir mão de algo com o propósito de se aproximar de Deus. Eu (Kristy) tenho o costume de separar um período de cada ano para um jejum limitado (que dura entre três e 40 dias). Quando estou jejuando, não só me abstenho de algo, mas também acrescento outro elemento. Por exemplo, ao “jejuar” da minha hora costumeira de acordar, eu me levanto uma hora antes e uso esse tempo para um momento a sós com Deus e um devocional mais profundo. Quando vem o desejo de comer determinados alimentos, isso se torna um lembrete para orar pedindo a bênção e a guia de Deus, ou para agradecimento. “É como amarrar uma fita em volta do dedo para se lembrar de Deus”, observa Lynne Baab, em Fasting: Spiritual Freedom Beyond Our Appetites (IVP, 2006). Um espírito de renovação acompanha tais períodos de jejum.

O jejum sem se concentrar em Deus significa que meramente deixamos de comer. “O propósito é notar as coisas falsas que não transmitem vida às quais nos apegamos e fazer uma tentativa intencional de nos apegar aos caminhos de Deus”, acrescenta Lynne Baab. Logo, o propósito do jejum é desenvolver nosso relacionamento com Deus e nos aprofundar em nossa vida de oração.

Em Salmo 63:1-5, temos a demonstração de que buscar a Deus de todo o coração e louvá-lo pode levar a uma satisfação que nenhum alimento é capaz de trazer. “Ó Deus, Tu és o meu Deus, eu te busco intensamente; a minha alma tem sede de ti! Todo o meu ser anseia por ti, numa terra seca, exausta e sem água. […] A minha alma ficará satisfeita como quando tem rico banquete; com lábios jubilosos a minha boca te louvará” (todos os textos são da NVI, salvo outra indicação). Cristo, o pão da vida e dom do Céu, satisfaz plenamente nossas necessidades e nos conduz à vida eterna (Jo 6:32-38).

Ellen White incentivou os cristãos a jejuar, considerando a abstenção de alimento uma forma de se concentrar no crescimento espiritual. “Homens e mulheres precisam pensar menos sobre o que comer e o que beber, com relação a alimentos temporais, e muito mais com respeito ao alimento do Céu, que dará tono e vitalidade a toda a experiência religiosa” (Conselhos Sobre o Regime Alimentar, p. 90).

Essa é a motivação de Denise, esposa do coautor Joseph, quando pratica o jejum regular. Para ela, o agendamento regular de períodos de jejum está ligado a pedir a Deus nada menos que uma conexão mais profunda com Ele. A fome que ela sente do Senhor e a proximidade de sua presença que desfruta enquanto jejua a acompanham por muito tempo depois que o jejum em si termina.

Todos podem abrir mão de algo, temporariamente, a fim de se aproximar de Deus. Ao escolher ir contra nossos desejos humanos, abrimos espaço para o crescimento pessoal e espiritual. O jejum tira nossa atenção de nós mesmos e a redireciona ao Céu.

O QUE NÃO É

Por vezes, a disciplina espiritual do jejum é incompreendida ou usada de forma contrária à vontade de Deus. A fim de entender o que é jejum, também é prudente analisar o que ele não é.

Jejum não é coerção. Não diz respeito a forçar o braço de Deus. Não é uma espécie de greve de fome espiritual que obriga o Senhor a fazer nossa vontade. Deus explica isso em Isaías 58:3 e 4. Na época, os atos de jejum não eram praticados com a humilhação do coração. Em vez disso, a intenção era forçar Deus a uma ação que o povo não merecia. “Eles jejuavam apenas para garantir o favor de Deus e assegurar a aprovação de seus atos maus, como se a abstinência de alimento fosse mais importante para Deus do que se afastar da iniquidade” (Comentário Biblico Adventista, v. 4, p. 325).

A atitude é fundamental no que diz respeito ao jejum. Um grupo de mais de 40 judeus em Atos 23:12-15 tomou a decisão de jejuar até ter sucesso em sua conspiração para matar Paulo. Eles não desejavam fazer a vontade de Deus, mas sim alcançar os próprios objetivos egoístas. O jejum tem a intenção de mudar as pessoas, não o Senhor.

Jejum também não é penitência. Deus concede o perdão dos nossos pecados sem nenhuma exigência além da confissão e do arrependimento (1Jo 1:9). Contudo, houve um tempo na história da igreja em que o jejum esteve ligado a uma teologia legalista e às obras meritórias. Essa ideia antibíblica usava o jejum como meio de provar a Deus que o indivíduo era digno de ser perdoado, além de ser um meio para a pessoa se castigar. Esse falso conceito de jejum persiste em algumas ramificações do cristianismo contemporâneo.

Há pessoas que praticam o jejum como forma de punir o corpo por pecar ou para forçá-lo à submissão. O jejum como penitência não é equivalente à noção bíblica de jejum por arrependimento (Jn 3:5-9). O arrependimento é o sinal de um coração contrito e o desejo de se afastar do pecado, ao passo que a penitência é um castigo infligido sobre si mesmo com o propósito de obter o favor divino. A penitência se concentra no passado egoísta do indivíduo; já o arrependimento focaliza o futuro da pessoa, o qual é controlado por Deus.

Portanto, não devemos nos privar de alimento para nos punir ou conquistar o favor divino. Já temos o favor de Deus por intermédio de Jesus. Somos “justificados gratuitamente por sua graça, por meio da redenção que há em Cristo Jesus” (Rm 3:24; cf. 5:1).

PROPÓSITO E BENEFÍCIOS

O jejum é uma disciplina física e espiritual que edifica nossos músculos da fé para podermos resistir a provas maiores que surgem em nosso caminho. Jejum é mais do que um mero treinamento espiritual de autocontrole. Ao longo da história cristã, as pessoas têm compartilhado experiências espirituais positivas com o jejum e seu papel na manutenção de uma vida equilibrada.

Um dos principais motivos bíblicos para jejuar é desenvolver uma caminhada mais íntima com Deus e reconhecer a necessidade que temos dele. Vemos isso no jejum do povo de Nínive, que marcou seu arrependimento (Jn 3). Quando tiramos os olhos das coisas deste mundo, conseguimos nos concentrar melhor em Cristo. A consciência de nossas necessidades físicas nos lembra de nossas necessidades espirituais. Jesus disse: “Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mt 4:4). O jejum nos faz recordar que conseguimos sobreviver sem a maioria das coisas por um tempo, mas não sem Deus.

Praticado por muitas pessoas do Antigo e do Novo Testamento, o jejum era valorizado. Moisés jejuou por pelo menos dois períodos registrados de 40 dias (Êx 24:18; 34:28; Dt 10:10). Jesus jejuou por 40 dias (Mt 4:2) e lembrou seus seguidores de jejuarem. Disse “quando jejuarem”, não se jejuarem (Mt 6:16). Davi jejuou por sete dias (2Sm 12:16-18). Mordecai, Ester e suas servas jejuaram por três dias (Et 4:16). E toda a nação jejuava (afligia a alma) no Dia da Expiação (Lv 23:26-32).

Igualmente, com base na experiência dos personagens da Bíblia, vemos uma variedade de motivos para jejuar:

1. O jejum, aliado à oração, é um meio que pode ser usado para buscar e encontrar um relacionamento mais alegre e íntimo com Deus. “‘Agora, porém’, declara o Senhor, ‘voltem-se para mim de todo o coração, com jejum, lamento e pranto.’ Rasguem o coração, e não as vestes” (Jl 2:12, 13).

2. O jejum é usado na Bíblia como meio de se humilhar perante Deus (1Sm 7:6; Ed 8:21). Davi disse: “humilhei-me com jejum” (Sl 35:13).

3. O jejum permite a atuação do Espírito Santo, revelando a verdadeira condição espiritual do coração (Dt 8:3; 1Rs 21:27).

4. O jejum transforma a oração em uma experiência mais significativa e pessoal de adoração (Lc 2:37, 38).

5. O jejum pode dar coragem para fazer o que é certo em momentos de angústia. Ester jejuou e pediu às pessoas a seu redor que jejuassem enquanto se preparava para comparecer diante do rei sem ter sido chamada. Essa visita poderia custar sua vida, mas, em vez disso, salvou seu povo (Et 4:16).

6. Jejum e ministério podem andar lado a lado. Jesus jejuou no início de seu ministério terreno (Lc 4:1-2). Paulo jejuou logo após seu encontro com Cristo na estrada de Damasco (At 9:9). Elias jejuou para ouvir a voz de Deus mais uma vez (1Rs 19:8). Oração e jejum faziam parte do processo de imposição de mãos antes do envio de missionários e da nomeação de líderes na igreja primitiva (At 13:3; 14:23). Com frequência, os profetas jejuavam em favor do povo (Dn 9:1-19).

7. Jejum e oração se encontram fortemente ligados na Bíblia (Lc 2:37; 5:33). Quando você jejua, passa por uma experiência de humildade. Encontra mais tempo para orar e buscar a face de Deus. À medida que Ele o conduz a reconhecer pecados não confessados e se arrepender, você desfruta bênçãos especiais da parte de Deus.

8. O jejum pode ser parte integral da jornada espiritual, ajudando a nutrir a alma. Além disso, ele prepara o caminho para o Espírito Santo trabalhar em nós a fim de vencermos o pecado (Mt 4:4). O jejum pode revelar coisas que ignoramos em nossa vida. Ele nos ajuda a voltar o coração para Deus com mais intensidade.

9. Podemos lançar mão de jejum e oração quando nos deparamos com decisões corporativas significativas, como na busca por um novo pastor, ao fazer escolhas sobre um projeto de construção ou ao iniciar uma grande campanha evangelística. O jejum também pode fazer parte de momentos pessoais de tomada de decisões, como na procura por um novo emprego, às vésperas do casamento ou antes de fazer uma grande mudança.

Experimentei pessoalmente o poder do jejum e da oração no processo de eleições da igreja que pastoreei. Intencionalmente, dediquei bastante tempo em jejum e oração antes da escolha da comissão de nomeações e de novo quando a comissão começou a trabalhar. Nossa congregação teve a melhor equipe de liderança possível e, como resultado, desfrutamos de uma família da fé saudável e cheia de vida.

10. O jejum pode nos ajudar a superar desafios e problemas pessoais. Quando Davi foi falsamente criticado e acusado, buscou a Deus com jejum e oração. Humilhou-se e orou pedindo vindicação, em vez de retaliar (Sl 35:13; 69:10; 109:24). Como pastor, por vezes senti que estava sendo falsamente acusado ou criticado. Em tais ocasiões, orei e jejuei pedindo a Deus que abrisse meus olhos para qualquer crítica justificada e me defendesse das falsidades. Isso me proporcionava grande paz e me permitia permanecer concentrado na missão de levar pessoas a Cristo.

11. O jejum desempenha um papel crucial na oração intercessora. Ester pediu a todos os judeus de Susã que jejuassem e orassem antes de enfrentar o perigo de comparecer na presença do rei a fim de suplicar por seu povo (Et 4:16). Neemias jejuou e pediu perdão pelo povo de Deus (Ne 1:4-11).

12. O jejum e a oração podem abrir as portas do Céu para salvar o povo de Deus da perseguição. Sempre que o povo de Deus é ameaçado, sempre que a proclamação do evangelho enfrenta perseguição, jejum e oração devem ser um envolvimento apropriado e uma resposta da parte da comunidade cristã.

Enfim, jejuar quando as pessoas estão desesperadas pela ação de Deus é uma prática bíblica. O jejum é capaz de trazer um tom de urgência às nossas orações, embora ele nem sempre garanta uma resposta favorável. Aqueles que aliam oração ao jejum mostram a Deus o fervor de suas súplicas.

DO JEJUM AO BANQUETE

A Bíblia apresenta o jejum como algo bom, proveitoso e benéfico. Jejuar não é ficar sem comer, nem privar o corpo, mas sim tirar o foco deste mundo e se banquetear nas coisas de Deus. Quando jejuamos, reconhecemos nosso compromisso com a melhora do nosso relacionamento com Deus e isso nos ajuda a obter nova perspectiva e aliança renovada com o Senhor.

O jejum deve ser feito em espírito de humildade e alegria. Ao longo da Bíblia, Deus repreendeu Israel por sua opinião equivocada quanto ao jejum. Em vez de ser uma forma de se humilhar perante o Criador, o jejum passou a ser visto como demonstração de espiritualidade. Jesus corrigiu esse ponto de vista (Mt 6:16-18).

Nos tempos de Jesus, era costume jejuar às segundas e quintas-feiras, que eram dias agitados de feira. Era comum ver aqueles que jejuavam modificarem de maneira deliberada a aparência a fim de exibir sua espiritualidade para as multidões. Não se arrumavam da maneira habitual e até usavam cosméticos para dar impressão de palidez. A tentativa de exagerar a humildade, na verdade, era uma exibição de orgulho e pretensão.

O jejum também deve ser uma expressão de “apetite” ou fome por Deus. O primeiro livro de Samuel dá um exemplo de jejum a fim de despertar um reavivamento entre o povo de Deus (1Sm 7:6). Israel sabia que necessitava de uma reconversão espiritual e se voltou para Deus com arrependimento e jejum. Meras palavras não bastavam; o jejum veio para demonstrar sua sinceridade.

Seguindo os exemplos bíblicos, os primeiros adventistas jejuavam e oravam pedindo reavivamento. Ao falar para um grupo de adventistas de Colorado, Ellen White fez esta poderosa declaração: “É seu privilégio receber mais do Espírito de Deus quando se envolve em jejum e oração fervorosa. É preciso aceitar as promessas e garantias de Deus e reivindicá-las pela fé” (Review and Herald, 13 de janeiro de 1910).

Enquanto eu pastoreava uma pequena igreja de cerca de 40 membros, comecei a orar e jejuar intencionalmente pelo crescimento de nossa igreja. Minha esposa e eu separamos todas as segundas-feiras para oração e jejum. Também incentivei nossos membros a participar da maneira que pudessem. Com oração, jejum e testemunho ativo, o número de membros cresceu de 40 para 500 em cerca de oito anos. Onde há oração, testemunho ativo e jejum fervoroso com foco no crescimento, a igreja cresce.

O jejum não é ocasião para orgulho próprio, característica dos fariseus. Ao contrário, o verdadeiro jejum no sentido bíblico deve gerar humildade e uma vida espiritual marcada por oração e constante busca da face de Deus. A consciência ampliada da grandeza de Deus e de seu amor costumam acompanhar a experiência do jejum. A adoração é ampliada, o relacionamento com Cristo é fortalecido, a comunhão uns com os outros se torna significativa e vital. Essa é a recompensa do jejum genuíno.

SAIBA +

POR QUANTO TEMPO JEJUAR?

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Por quanto tempo devemos jejuar? A Bíblia apresenta alguns exemplos de jejum por 40 dias (Moisés em Êxodo 34:28, Elias em 1 Reis 19:8 e Jesus em Lucas 4:2). O jejum normal judaico abrangia as horas claras do dia. O jejum coletivo de Juízes 20:26 é um exemplo de jejum que durou até o fim da tarde.

Ester proclamou um jejum completo por três dias (Et 4:16). Não sabemos quanto tempo Daniel permaneceu em jejum em Daniel 9:3, mas somos informados de que ele realizou um jejum parcial de três semanas (Dn 10:2, 3). A duração e a abrangência do jejum costumam ser ditadas pelo motivo que nos leva a jejuar. Algumas pessoas jejuam uma vez por ano, ao passo que outras optam por um dia na semana.

S. JOSEPH KIDDER, doutor em Ministério, é professor na Universidade Andrews (EUA); KRISTY L. HODSON é estudante do mestrado em Divindade na mesma instituição (tradução de Cecília Eller do Nascimento)

(Artigo publicado como matéria de capa da edição de fevereiro de 2017 da Revista Adventista)


Última atualização em 30 de abril de 2021 por Márcio Tonetti.

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